Bebês menores 'têm mais risco de suicídio quando adultos'

Pesquisa sueca diz que altura pode ter efeitos a longo prazo sobre o cérebro.

BBC Brasil, BBC

17 de janeiro de 2008 | 17h45

Uma pesquisa feita na Suécia indica que meninos que nascem menores do que a média podem ter o dobro do risco de tentar suicídio na vida adulta, mesmo se depois eles tiverem crescimento normal.Aqueles que nascem com menos de 47 cm são os que teriam maior risco, sugere o estudo do Instituto Karolinska, de Estocolmo, publicado pela revista especializada Journal of Epidemiology and Community Health.Os pesquisadores acreditam que um crescimento fetal insatisfatório poderia ter efeitos de longo prazo sobre a química do cérebro e que é preciso fazer mais para ajudar as mulheres grávidas e os seus bebês.O estudo analisou dados de cerca de 320 mil meninos nascidos entre 1973 e 1980 na Suécia e de tentativas de suicídio até 1999. PesoOs bebês incluídos no estudo tinham, em média, entre 50 cm e 51 cm.No grupo analisado, houve 759 tentativas violentas de suicídio - definidas como enforcamento, com uso de arma de fogo ou faca, salto de alturas, em frente a um veículo ou afogamento.A ligação entre a altura no nascimento e o risco de suicídio mostrou ser forte, mas o peso inferior a 2,5 kg no nascimento também foi associado a um aumento no risco. O estudo concluiu ainda que homens que nasceram com altura normal, mas acabaram desenvolvendo uma estatura menor do que a média na vida adulta, tinham 56% mais chance de tentar cometer suicídio do que homens altos.Drogas e álcoolOs níveis de serotonina - substância cerebral que cientistas já haviam associado à agressividade e a um comportamento suicida - podem ajudar a explicar as conclusões, afirmam os pesquisadores.Ellenor Mittendorfer-Rutz, que liderou o estudo, disse que um crescimento insatisfatório do bebê no útero influencia a altura do bebê no nascimento e a forma como o cérebro dele processa a serotonina. As duas características são definidas no segundo trimestre da gravidez, disse ela.O pouco crescimento no útero poderia ser causado pelo uso abusivo de drogas e álcool pela mãe, ou por uma dieta ruim."É possível identificar gestações de risco e mães em situação adversa, como aquelas com problemas sociais, mães adolescentes e aquelas com passado criminoso", disse Mittendorfer-Rutz."Já há algumas evidências mostrando que uma intervenção nessas mães pode ter um efeito no desenvolvimento da criança no longo prazo.""Também podemos pensar em um acompanhamento pré-natal melhor para as mães", completou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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