Raimundo Pacco/EFE
Raimundo Pacco/EFE

Belém terá reabertura de shopping centers, salões de beleza, clínicas de estética e barbearias

Liberação acontece neste sábado, em um momento em que o Pará atinge os piores índices da taxa de isolamento social

Roberta Paraense, Especial para o Estado

05 de junho de 2020 | 10h00

BELÉM - No momento em que o Pará atinge os piores índices da taxa de isolamento social, a prefeitura de Belém anuncia a reabertura dos cinco shopping centers da capital paraense, para este sábado, 6. A decisão foi tomada após uma reunião entre o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB) e o Comitê Intersetorial de Retorno das Atividades Econômicas de Belém. Os salões de beleza, clínicas de estética e barbearias também retornarão às atividades.

Em contrapartida, o centro comercial da cidade, que está aberto há quatro dias, tem esta sexta-feira para se readequar aos protocolos de distanciamento e de higiene. Caso contrário, o prefeito decretará o fechamento da região para conter as aglomerações, que estão sendo corriqueiras desde a última segunda-feira, 1º. A prefeitura de Belém também reduziu em uma hora o funcionamento do comércio de rua. Esses estabelecimentos passarão a ficar abertos de 9h às 16h, a partir de amanhã. Antes, o horário ia até as 17h.

Na quinta-feira, o Comitê de Fiscalização da Prefeitura interditou seis ruas da região para conter a aglomeração. No Twitter, o prefeito disse que "hoje, tudo leva a crer que vamos editar o decreto para abertura dos shoppings e salões de beleza. Mas, de acordo com a avaliação da nossa equipe, se estiver grave a situação na rua, teremos de fechar o comércio para adequação aos protocolos de segurança".

Segundo o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), apenas as avenidas Assis de Vasconcelos, Marechal Hermes, Portugal, 16 de Novembro e Tamandaré reúnem de 2,5 mil a 3 mil lojas, com cerca de 17 mil trabalhadores, que, uma vez com as atividades abertas, precisam sair de casa e ir até seus empregos.

"Nós estamos passando aos lojistas todos os protocolos que eles devem seguir. No centro comercial, o maior problema da aglomeração são os ambulantes, que não ambulam. Por isso, a fiscalização e a organização deles, será mais rígida", explicou o presidente do Sindloja, Joy Colares.

A reabertura dos cinco shoppings da cidade significa que 966 empreendimentos voltarão a funcionar e, consequentemente, cerca de 26 mil trabalhadores diretos e indiretos retornarão aos postos de trabalho. Os dados são da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Sobre os estabelecimentos de estética, não há números oficiais de quantos atuam na capital. O Sindicato de salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares de Belém (Sindsalões), aventa que na Região Metropolitana de Belém, há cerca de 5 mil. "A categoria é muito grande. Não temos números precisos de quantos postos de trabalho o segmento gera, no entanto, são milhares de pessoas que retornarão às atividades, aos trabalhos. Profissionais que passaram cerca de 70 dias fechados, e dependem dos serviços para o seu sustento", disse Regina de Menezes, presidente do Sindsalões. A categoria volta com protocolos a seguir, como o uso de equipamentos de proteção individual aos profissionais, máscaras para os clientes e hora marcada para atendimento.

A decisão do Prefeito de Belém foi tomada depois de muitas divergências de informações entre o governo do Estado e a Prefeitura. Enquanto o gestor municipal, Zenaldo Coutinho, decide à reabertura, o governador Helder Barbalho (MDB), um dia anterior, nas redes sociais, levanta a possibilidades de voltar com rigidez às medidas de flexibilização, chegando até a um segundo lockdown.

Helder Barbalho (MDB), diante ao pior índice do isolamento social, desde que as medidas restritivas passaram a ser implantadas, publicou um vídeo nas suas redes sociais comentando os números. "Eu quero deixar bem claro que se nós sentirmos que isso pode representar um novo problema de saúde, nós vamos voltar para isolamentos mais acentuados e, inclusive, se for necessário, até um novo lockdown", afirmou o governador.

"A vida tem que estar em primeiro lugar. Por isso eu peço a você, é um apelo que eu te faço: consciência, responsabilidade. Só saia de casa se for absolutamente necessário. Vamos ter calma. Não é hora de liberar geral", finalizou Helder. Nesta terça-feira, o Pará atingiu apenas 39% de isolamento, passando a ocupar a 18ª posição no ranking nacional de distanciamento.

A reabertura dos shoppings center e salões de beleza estava marcada para a quinta-feira. Depois de um dia inteiro em que os lojistas esperaram a publicação do decreto, o prefeito anunciou à noite, que dependeria de um documento do Governo do Estado com os números de leitos de UTI.

"Os respiradores que recebemos do Ministério da Saúde foram relevantes para que déssemos o primeiro passo na reabertura do comércio. A nossa estrutura de saúde está funcionando com certa tranquilidade, sem lotação. Mas nós precisamos da informação sobre a disponibilidade de leitos do Governo do Estado, que até agora não chegou. Essa informação é crucial para ampliarmos para os shoppings center e salões de beleza", escreveu Coutinho, no seu Instagram.

Questionado sobre a fala do prefeito, o governo estadual, através de sua assessoria de imprensa, respondeu que tomou a decisão de "mudar o status de lockdown para isolamento social com base em estudos técnicos e científicos. A decisão de abertura ou não, cabe aos municípios. Inclusive, a prefeitura de Belém tem conhecimento e acesso ao sistema do site com as informações sobre a quantidade de leitos disponíveis. Nesta quarta-feira, a cidade de Belém atingiu a taxa de ocupação de 81,51% de UTI e 54,56% leitos clínicos", explicou a nota.

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