Amira Hissa / PBH
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BH amplia horário de funcionamento de lojas em meio ao avanço do novo coronavírus

Prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil diz que decisão foi tomada para evitar aglomerações: 'Não é porque a coisa está boa'

Leonardo Augusto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 14h23

BELO HORIZONTE - As lojas de rua e shoppings centers de Belo Horizonte (MG) poderão funcionar duas horas a mais por dia durante a pandemia, conforme decisão anunciada nesta sexta, 18, pelo prefeito da capital, Alexandre Kalil (PSD). 

A ampliação no horário de estabelecimentos do comércio ocorre no momento em que os três indicadores observados pelo comitê de infectologistas do município para adoção de medidas de combate à covid-19 estão no nível amarelo de alerta. Um deles, o que acusa o potencial de contaminação por cada infectado, sobe há uma semana. Kalil disse ainda que a partir de segunda-feira começa a estudar a reabertura das escolas.

Segundo o prefeito, a decisão de aumentar o horário de funcionamento do comércio, que vale a partir deste sábado, 19, foi tomada para evitar aglomerações. "Não é porque a coisa está boa. É uma medida técnica. É justamente o contrário", afirmou, durante entrevista coletiva na prefeitura. 

As lojas de rua, que funcionavam de 10h às 19h passam a ficar abertas das 9h às 20h. Os shoppings centers tiveram o horário alterado de 12h às 21h para 10h às 21h.

Cresce ocupação de leitos

A ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva na capital está em 61,7%. Na sexta-feira, 11, estava em 56,7%. A de leitos de enfermagem é de 52,9%, contra 52,4% há uma semana. Acima de 50% o medidor entra no nível amarelo. O índice que mede a capacidade de transmissão de cada pessoa com vírus na sexta-feira, 11, era de 1,02%. Agora está em 1,09%, segundo o último relatório dos indicadores, divulgado nessa quinta.

O boletim da prefeitura desta sexta-feira 18, mostra que a situação piorou ainda mais na comparação com quinta-feira. A ocupação dos leitos de UTI destinados ao tratamento da doença na cidade subiu para 70,4%, alcançando a zona vermelha de alerta. O uso de unidades de enfermagem foi a 62,4%, uma alta de quase 10 pontos percentuais de um dia para o outro. O índice que mede a capacidade de transmissão do vírus também subiu, para 1,11%.

O prefeito afirmou que as condições da rede pública de saúde na cidade atualmente são melhores que as da rede particular, e falou sobre os riscos da realização de comemorações de fim de ano. "Parte da população que tem plano de saúde, que quer fazer festa, aquele cartão não é vacina. É cartão de plano de saúde. E aconselho que todos esses que acham que cartão de plano de saúde é vacina, que consultem os hospitais que frequentam para ver a situação que estão", declarou.

Segundo Kalil, há hospitais particulares na cidade "estrangulados". "Diferentemente do setor público, que também está difícil, mas não está fechando portas como os privados estão fazendo, porque não se prepararam", apontou.

O prefeito também aproveitou a coletiva para dizer que um de seus três filhos, que é médico, contraiu a doença, mas que os dois não tiveram contato. Kalil disse ainda que não vai à diplomação dos eleitos no pleito de 15 de novembro, que ocorrerá nesta sexta. "Também avisei ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) que não vou à posse no dia primeiro de janeiro".

Retorno às aulas

Kalil afirmou que a equipe da prefeitura começa na segunda-feira, 21, a estudar o retorno do funcionamento das instituições de ensino na capital. "Escolas não são antros de contaminação, conforme apontam estudos internacionais. Começamos agora a conversar sobre isso", anunciou.

Em agosto, o prefeito afirmou que o retorno só ocorreria quando os números da pandemia estivessem melhores. À época, citou um estudo da Universidade de Harvard que apontava crianças como grandes prováveis transmissoras do vírus, apesar de, muitas vezes, assintomáticas.

Segundo o prefeito, a vacinação contra a covid-19 em Belo Horizonte começará assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar as aplicações e os imunizantes chegarem à cidade.

No caso da vacina da Pfizer, que necessita de conservação em freezers mais potentes, Kalil disse que aparelhos com essas características serão fornecidos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o relatório dessa quinta-feira, 17, da prefeitura, 1.773 pessoas já morreram em Belo Horizonte de covid-19. O total de casos na capital mineira é de 58.787.

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