FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Bikeboys ganham espaço em meio à crise do coronavírus

Setor de deilvery já testa entrega sem contato entre clientes e entregadores

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 06h29

O bikeboy Breno Albuquerque, de 18 anos, conseguiu fazer oito entregas de refeições ontem na região do Itaim e da Vila Olímpia, áreas nobres de São Paulo, pelos aplicativos Uber Eats e Rappi. O entregador avalia que o dia foi bom. Além da bag, do celular e de muita disposição para pedalar até dez horas por dia, Breno adotou uma nova ferramenta de trabalho: um frasco de álcool gel para se prevenir do novo coronavírus.

O vírus já tem causado mudanças no setor de delivery: há aumento das entregas de até 30%, de acordo com algumas empresas, e estão sendo adotados cuidados de higiene pelos entregadores.

Grande parte de motoboys e bikeboys ouvidos pelo Estado afirma que o movimento aumentou nos últimos dias. “Estou conseguindo pagar as contas, que é o mais importante. As entregas estão aumentando. Tomara que a crise não pare tudo”, disse Cristian Porfino, de 36 anos. A equação que explica o aumento dos serviços de delivery é simples. Com a recomendação do Ministério de Saúde para que as pessoas evitem circular pelas ruas, muita gente pede as refeições em casa, pela internet ou pelo telefone.

A Rappi informa um aumento da ordem de 30% desde o fim de fevereiro. “As pessoas se sentem mais seguras fazendo um pedido via Rappi e evitando concentrações massivas”, informou ao Estado. Outras empresas, como o iFood, também reconhecem o aumento da demanda, mas acham que é cedo associar ao avanço da doença. 

O crescimento no segmento de refeições faz contraste com o de entrega de documentos, também realizado por motoboys. Aqui, vários profissionais relatam queda nas chamadas. O empresário Denis Lima, que administra a plataforma online Immediato, que reúne cerca de 4 mil pessoas, aponta queda de 10%. Como muitas empresas estão adotando o home office, a entrega de documentos, os pagamentos bancários e assinaturas de contratos são adiados ou feitos por meios virtuais.

A vida mais corrida dos entregadores exige cuidados redobrados para se prevenir. Todos contam que mudaram alguns hábitos. O frasco de álcool gel que Breno está carregando para cima e para baixo, por exemplo, foi dado pela mãe. O empresário Aurisergio Santos, proprietário de uma empresa de motoboys de pequeno porte na Vila Mariana, afirma que os funcionários pediram e ele passou a fornecer máscaras e luvas. “Eles começaram a se preocupar e achei justa a prevenção.”

Menos contato. As empresas também estão promovendo mudanças. IFood, Rappi e Uber Eats informam que estão testando entregas com menor contato entre entregador e o cliente. Agora, o usuário vai poder combinar com o entregador via chat onde deixar o seu pedido. Pode ser na portaria do prédio, por exemplo. Em outros casos, o cliente pode solicitar a entrega sem contato. O entregador deixa o pedido na porta do cliente e se afasta por dois metros. As empresas também informam que vão oferecer assistência financeira para os que contraírem o vírus. 

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