Universidade de Southampton/Reprodução
Universidade de Southampton/Reprodução

Biometria poderá utilizar análise de passos e orelhas no futuro

Universidade britânica desenvolve modelo alternativo ao scanner de olho e impressão digital

BBC

22 Novembro 2012 | 09h56

A crescente preocupação da Grã-Bretanha com crimes cibernéticos motivou investimentos do governo em pesquisas na área desse tipo de segurança. A Universiadde de Southampton recebeu parte dos recursos públicos e vai usá-los no desenvolvimento de um novo padrão de biometria, além do reconhecimento ocular e facial - a análise do formato da orelha e de como as pessoas andam.

 

Os pesquisadores da universidade acreditam que este seja o caminho a ser seguido pela biometria nos próximos anos. Mark Nixon, um dos professores da instituição, acredita que o formato da orelha e os passos das pessoas são tão únicos quanto as impressões digitais e ainda mais difíceis de serem copiados.

 

Ele construiu um túnel biométrico em seu laboratório que contém 12 câmeras que medem os passos das pessoas e tiram fotos de suas orelhas. O interior da passagem é colotido para otimizar o contraste entre as partes do corpo analisadas e as roupas, tornando mais fácil o registro de uma imagem em três dimensões da pessoa focada pelas câmeras.

 

"É a tecnologia convencional da televisão, o chroma-key. Ainda não testamos o sistema em 60 milhões de pessoas ainda, mas os resultados são promissores", brincou o professor. Segundo ele, não foram encontradas pessoas com dois resultados iguais. Até agora, ninguém conseguiu reproduzir os passos de outro indivíduo a ponto de enganar o computador.

 

A biometria tem sido usada até pelas autoridades na investigação de crimes, disse Nixon. Ele, porém, lembrou que países como o Japão são ainda mais avançados nesse tipo de tecnologia. "No Japão, cerca de 40% dos caixas eletrônicos analisam e reconhecem os padrões de veias nos seus dedos. Mas ainda é cedo e as pessoas levam tempo para se acostumar com a nova tecnologia", completou.

 

Crimes cibernéticos. Além de Southampton, outras sete universidades britânicas estão envolvidas nos projetos de segurança cibernética, cujos sistemas são usados em bancos e zonas de fronteiras.

 

Segundo especialistas, os crimes cibernéticos estão se tornando mais comuns. "É muito fácil ser um criminoso se você quiser", disse Vladimiro Sassoni, do departamento de segurança cibernética da Universidade de Southampton.

 

Ele afirmou que há softwares capazes de realizar ataques poderosos a computadores. "Tentativas de destruir infraestruturas cibernéticas de países inteiros são uma realiadde", disse, acrescentando que essas investidas vão desde ataques a sistemas de transportes ou financeiro até tentativas de roubo de dados privados.

 

"Como você avalia esses riscos? Por que as pessoas se comportam na internet como se estivessem na sala de estar, quando na verdade estão em um ambiente selvagem? Muitas coisas podem ser feitas por meio da educação. Mas é um campo complicado. Há ouras coisas que ainda são prioridades para o usuário final do mundo cibernético", concluiu. 

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