Prefeitura de São Luis
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Bloqueio total por causa do coronavírus já atinge 6,8 milhões de brasileiros

A medida está em vigor em três capitais, mas também é alvo de estudo ou foi aplicada parcialmente em outros 13 Estados

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 05h00

RECIFE - Ao menos 6,8 milhões de brasileiros já vivem em cidades sob regime de bloqueio completo por causa do novo coronavírus. A medida está em vigor em três capitais, São Luís, Belém e Fortaleza, mas também é alvo de estudo ou foi aplicada parcialmente em outros 13 Estados, incluindo Rio e São Paulo.

O lockdown, termo usado para designar o fechamento das cidades, é considerado o último recurso contra o avanço da covid-19 e foi adotado em outros países, como Itália e Espanha. Com modelo mais rígido do que o isolamento social, os moradores só podem sair de casa em casos autorizados, como para comprar alimento, remédio ou ir ao médico, sob pena de multa ou até mesmo de responder a ações penais.

Nesta semana, o ministro da Saúde Nelson Teich admitiu, pela primeira vez, que locais mais afetados pela pandemia devem endurecer o confinamento, mantendo apenas serviços essenciais. “O lockdown vai ser importante nos lugares onde estiver muito difícil, com alta incidência, elevada ocupação de leitos, muitos pacientes chegando, infraestrutura que não conseguiu se adaptar."

Dez Estados são responsáveis por 90,6% dos óbitos registrados no Brasil. Entre eles, Maranhão, Pará e Ceará já anunciaram fechamento de 15 cidades. Na Bahia e no Rio, os prefeitos das capitais também anunciaram "lockdown parcial", com bloqueios em bairros com maiores taxa de infecção, a partir do fim de semana.

Com os sistemas de saúde já sobrecarregados, Pernambuco e Amazonas chegaram a pedir o fechamento, mas a medida foi negada pela Justiça. Os governos de São Paulo, recordista com 3.045 mortes, e Espírito Santo também admitem a possibilidade de restringir ainda mais o isolamento social. No Paraná, o 10º no ranking de vítimas por coronavírus, o prefeito de Curitiba Rafael Greca (DEM) afastou a hipótese de lockdown até o momento.

Em Fortaleza, o "confinamento obrigatório" passa a valer nesta sexta-feira, 8, imposto por decretos publicados pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT) e pelo governador Camilo Santana (PT). Com a medida, há controle de entrada e saída na cidade e carros particulares estão proibidos de circular livremente.

Em caso de descumprimento, pessoas infectados ou com suspeita de covid-19 podem ser responsabilizadas "inclusive na esfera criminal", segundo o decreto. Também existe previsão de acionar a polícia para forçar o isolamento.

"Nas poucas vezes que saí de casa percebi que o isolamento social em Fortaleza não está acontecendo da forma correta. A população ainda não se deu conta do risco que corre", diz a professora Fernanda Valente, de 41 anos, que mora na cidade e aprova o lockdown. "Achei a medida muito necessária e sinceramente já era para ter acontecido. Os hospitais já estão sem leitos para os pacientes infectados."

No Pará, o bloqueio total decretado pelo governador Helder Barbalho (MDB) começou a valer nesta quinta, 7. A decisão inclui a capital Belém, além de municípios da região metropolitana (Ananindeua, Castanhal, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará e Santo Antônio do Tauá) e do interior (Breves e Vigia de Nazaré). Segundo o governo, os três primeiros dias seriam "educativos". Só depois haveria punição por descumprimento.

A primeira iniciativa, no entanto, aconteceu no Maranhão - mas, ao contrário dos outros Estados, após decisão da Justiça, que foi acatada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Sob argumento de ocupação total dos leitos de UTI, São Luís e as cidades vizinhas São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar foram fechadas.

O lockdown começou a valer na terça-feira, 5, e bloqueios foram espalhados pela região. Para circular, as pessoas precisam estar de máscara e comprovar, por documento, que trabalham em serviço essencial ou precisam sair de casa por razões de abastecimento ou socorro.

Rio e Salvador adotam lockdown parcial

No Rio, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) anunciou "lockdown parcial" a partir da zona oeste, a região onde há os maiores registros de aglomeração. A iniciativa aconteceu após o Ministério Público encaminhar relatório da Fiocruz defendendo a adoção urgente de medidas rígidas de isolamento.

Medida semelhante foi divulgada em Salvador pelo prefeito ACM Neto (DEM) e está prevista para acontecer a partir de sábado, 6. Na ocasião do anúncio, o prefeito adotou o termo “lockdown setorializado”.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que o lockdown está entre as opções estudadas. Com o argumento de evitar decisões mais radicais, ele determinou adoção de megarrodízio de carros na cidade.

Outras Estados e cidades que discutem a medida são Acre, Rondônia, Alagoas, Piauí, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, além de Boa Vista e Santa Rita (PB).

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