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Gabriela Biló/Estadão
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Bolsonaro adota tom conciliador ao lançar plano ao lado de governadores da oposição, mas sem Doria

Presidente prega 'união' com as autoridades estaduais pelo 'bem-comum' e minimiza 'exageros' ocorridos

Emilly Behnke e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 13h10

BRASÍLIA - Após meses de embate com governadores sobre o enfrentamento à covid-19 no País, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom conciliador no lançamento do plano nacional de vacinação. Em evento no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 16, o presidente pregou "união" com as autoridades estaduais pelo "bem-comum" e minimizou "exageros" ocorridos. O governo tem sido pressionado a apresentar soluções para iniciar a imunização após países como Reino Unido e Estados Unidos começarem a vacinar suas populações.

No palco, ao lado do presidente, estavam até mesmo adversários políticos, como os governadores do Piauí, Wellington Dias (PT), do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), do Ceará, Camilo Santana (PT), e do Pará, Helder Barbalho (MDB). O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não participou.

"A grande força que todos nós mostramos agora é união para buscar solução de algo que nos aflige há meses. Se algum de nós extrapolou ou até exagerou foi no afã de buscar solução”, disse. "Nós todos irmanados estamos na iminência de apresentar uma alternativa concreta para nos livrarmos desse mal, que é o plano nacional de operacionalização da vacinação contra a covid-19”, completou Bolsonaro. 

No evento de hoje, porém, enquanto a maioria dos governadores usava máscaras, ministros do governo e o próprio presidente dispensaram o equipamento de proteção. Até mesmo o "Zé Gotinha", mascote usado pelo Ministério da Saúde para promover campanhas de vacinação, apareceu com o item.

Em seu discurso, o presidente afirmou que o País conta com "27 governadores com um só propósito: o bem comum e a volta à normalidade". O chefe do Executivo voltou a repetir que o governo irá adquirir imunizantes de empresas que se encaixarem "nos critérios de segurança e efetividade" da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem citar o veto que havia feito em outubro à Coronavac. 

O imunizante produzido pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã já foi chamado de "vacina do Doria" por Bolsonaro, que chegou a tratar como "vitória" sua o fato de estudos terem sido interrompidos após a morte de um voluntário. No evento de hoje, Bolsonaro também citou a promessa de reservar R$ 20 bilhões para comprar vacinas e a Coronavac é um dos imunizantes citados no plano de imunização apresentado pelo governo.

O presidente ressaltou ainda que Anvisa é uma agência "referência" e de "participação fundamental na decisão de qual vacina deve ser apresentada de forma gratuita e voluntária para todos os brasileiros". "Peço a Deus que estejamos certos. A solução está por vir", reforçou. Ele afirmou ainda que espera "brevemente" o retorno do País à normalidade.

O tom adotado por Bolsonaro contrasta até mesmo com a entrevista que ele concedeu ontem ao apresentar José Luiz Datena, da TV Bandeirantes. Na ocasião, o presidente disse que não vai tomar a vacina contra a covid-19. Ele já foi diagnosticado e se curou da doença em julho, mas ainda não há evidências científicas robustas sobre o alcance da imunidade após a infecção. Cientistas veem nas falas desestímulos à vacinação em massa, essencial para conter o vírus. Desde o início de março, Bolsonaro nega a gravidade da pandemia, critica o isolamento social e nem sempre usa máscara em eventos públicos.

Em seu discurso, o presidente também fez um agradecimento especial ao presidente da Anvisa, almirante Antônio Barra Torres, e a coordenação do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Em mais um sinal de paz, Bolsonaro disse que deputados e senadores foram "excepcionais" no apoio ao governo para o combate à pandemia e o socorro de Estados e municípios.

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