Dida Sampaio
Dida Sampaio

Bolsonaro: agora, com riscos que população pode vir a sofrer, externamos nossa preocupação

Segundo o presidente, em um primeiro momento não houve muita preocupação sobre a propagação da doença no País, mas ele disse que, agora, os cuidados devem ser redobrados

Idiana Tomazelli, Marlla Sabino e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 15h10
Atualizado 18 de março de 2020 | 17h04

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 18, que o governo federal está externando preocupação com a crise causada pelo novo coronavírus pelos riscos que a sociedade poderá sofrer. Segundo o presidente, em um primeiro momento não houve muita preocupação sobre a propagação da doença no País, mas disse que, agora, os cuidados devem ser redobrados.

A declaração de Bolsonaro acontece após o País registrar as primeiras mortes por conta da doença. No final de semana, no entanto, o presidente esteve em manifestação popular em Brasília, ação não recomendada pelo Ministério da Saúde, e também cumprimentou pessoas no Palácio do Planalto. "Estive ao lado do povo sabendo dos riscos que corria. Nunca abandonarei o povo brasileiro". 

O presidente afirmou que o governo busca, neste momento, alongar o prazo daqueles que, porventura, serão contaminados pelo vírus. Ele afirmou que o sistema de saúde brasileiro não tem condições de acolher um elevado número de infectados, o que poderia prejudicar o atendimento as pessoas que estão no grupo de risco, como idosos e pessoas com alguma deficiência. 

Para reduzir os impactos sociais e econômicos da crise, o governo oficializou o pedido para que o Congresso reconheça o estado de calamidade pública. A medida permite que o governo descumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal. "Temos apoio incondicional por parte da Câmara e do Senado em todas as medidas necessárias". 

Repatriação de brasileiros no Peru

Bolsonaro afirmou que está em contato com a embaixada do Brasil em Lima para tratar sobre a repatriação de brasileiros que estão no Peru. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as Forças Armadas estão analisando a situação.  

Segundo o presidente, além dos brasileiros que estão impedidos de deixar o país vizinho após decreto do presidente Martín Vizcarra, pessoas em outros países também manifestaram desejo de retornar para o Brasil. 

Doação 

Bolsonaro anunciou que a Associação Brasileira da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) vai doar produtos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no combate ao novo coronavírus. O produto citado por ele foi álcool.

"A Unica acabou de ofertar à vossa excelência a doação de álcool do que se fizer necessário para o combate ao coronavírus", afirmou Bolsonaro em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, lembrou que o órgão publicou um edital em fevereiro chamando empresas a fornecerem informações sobre produtos sujeitos à fiscalização e que podem ser utilizados como insumos essenciais para combater a doença.

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.