Sammer Ai-Doumy/AFP
Sammer Ai-Doumy/AFP

Bolsonaro diz que compra de seringas está suspensa até 'preços voltarem à normalidade'

Após fracasso na primeira tentativa de compra de insumos, Ministério da Saúde havia requisitado estoques excedentes da indústria

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 09h53

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro responsabilizou nesta quarta-feira, 6, a indústria pelo fracasso do governo na aquisição de seringas. Ele afirmou que a compra do produto está suspensa até que "os preços voltem à normalidade". Em suas redes sociais, Bolsonaro também compartilhou uma lista de países e o seus percentuais de vacinados até esta segunda-feira, 4, mas omitiu os que mais imunizaram suas populações, como Israel e Emirados Árabes.

"Como houve interesse do Ministério da Saúde em adquirir seringas para seu estoque regulador, os preços dispararam e o MS suspendeu a compra até que os preços voltem à normalidade", disse. O presidente destacou que o Brasil consome 300 milhões de seringas por ano e que é um dos maiores fabricantes desse material. 

Segundo ele, os entes da federação contam com estoque suficiente para uma primeira etapa de imunização. "Estados e municípios têm estoques de seringas para o início das vacinações, já que a quantidade de vacinas num primeiro momento não é grande", declarou. 

No dia 29 de dezembro, o governo fez uma requisição de estoques excedentes de agulhas e seringas na indústria nacional. Como o Estadão/Broadcast revelou, o Ministério da Saúde só conseguiu lances válidos para 7,9 milhões das 331 milhões de seringas e agulhas procuradas por meio de pregão eletrônico

Após a tentativa frustrada de adquirir os itens, a pasta iniciou ontem as negociações de uma nova requisição de estoques excedentes dos produtos na indústria nacional. A expectativa é garantir a entrega de 30 milhões de unidades em janeiro. Além dessa requisição, o governo federal também restringiu a exportação dos produtos e deve retirar impostos para a importação. 

Em sua publicação nas redes sociais nesta quarta, Bolsonaro reiterou críticas à imprensa pela divulgação da vacinação contra a covid-19 em outros países. Ele minimizou as campanhas internacionais em andamento e ressaltou que poucas doses da vacina da Pfizer foram adquiridas por outras nações. "Por volta de 44 países estão vacinando, contudo a Pfizer vendeu para muitos desses, apenas 10.000 doses. Daí a falácia da mídia como se estivessem vacinando toda a população", disse. 

Na lista divulgada pelo presidente, Holanda, Japão e Brasil são citados como países que ainda não iniciaram a vacinação. A Holanda começou a imunização nesta quarta-feira, 6. Os Estados Unidos e o Reino Unido aparecem como os únicos com mais de um 1% de sua população vacinada. China, Rússia, Canadá, Itália, Chile, México, Alemanha e Argentina, todos com menos de 1%, também são mencionados. 

Ficou de fora da listagem, por exemplo, Israel, que já vacinou mais de 10% de sua população e foi inclusive classificado como uma "inspiração" para o Brasil por Bolsonaro em declarações anteriores.

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