Joédson Alves/EFE
Joédson Alves/EFE

Bolsonaro distorce dados sobre vacinação infantil e chama técnicos da Anvisa de 'tarados por vacina'

Declaração ocorre um dia depois de o Ministério da Saúde anunciar o início da imunização contra covid-19 na faixa etária de 5 a 11 anos no País

Matheus de Souza e Izael Pereira, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2022 | 16h23

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Um dia depois de o Ministério da Saúde anunciar o início da vacinação infantil no País, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou nesta quinta-feira, 6, a imunização de crianças com idade entre 5 e 11 anos contra covid-19, e chamou técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de "tarados por vacina". No mês passado, quando o órgão deu aval à aplicação de doses nesta faixa etária, o presidente ameaçou divulgar os nomes dos servidores responsáveis pela decisão, o que foi considerado uma tentativa de intimidação.

Ao colocar em dúvida a importância da vacinação das crianças, o presidente alegou, sem apresentar qualquer dado ou exemplo, que se "algum moleque que morreu de covid" tinha "outra comorbidade qualquer". "Quando se trata de criança, não se deixe levar pela propaganda", disse o presidente durante entrevista à TV Nova Nordeste, de Pernambuco. "Qual interesse da Anvisa? Qual interesse daquelas pessoas taradas por vacina?", completou, dizendo não conhecer nenhuma criança que morreu de covid.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) apontam que ao menos 560 crianças entre 5 e 11 anos morreram de covid-19 no País, segunda maior causa de óbitos na faixa etária, atrás apenas de acidentes de trânsito.

O presidente, que diz não ter se vacinado, afirmou que sua filha, Laura, de 11 anos, também não será imunizada. "A minha filha não será vacinada. Uma das questões que a gente colocou, no Ministério da Saúde, e que você pai tem que saber: a Pfizer, dona dessa vacina, não se responsabiliza por efeitos colaterais. E a própria Anvisa, que autorizou a vacina, diz que a criança logo após a vacinação pode sentir falta de ar e palpitações", disse. 

Tratamento precoce e passaporte

Quase dois anos após o início da pandemia, Bolsonaro voltou a pregar tratamento precoce e uso de medicamentos comprovadamente sem eficácia contra covid e respondeu às críticas sobre suas constantes falas negacionistas. Disse que não poderia ser considerado um negacionista porque autorizou a compra de vacina.

O presidente voltou a se colocar contra a adoção do passaporte vacinal. "Da nossa parte jamais exigirei passaporte vacinal, até porque, você tá vendo gente com a terceira dose de vacina morrendo. Você viu agora pouco alguns navios de cruzeiro no Brasil, todos 100% vacinados, onde um número considerável de pessoas foram contagiadas pelo vírus", questionou.

O chefe do Executivo chamou de autoritária a ação de governadores que determinaram a necessidade do documento. "Nunca se viu isso antes". De acordo com o presidente as vacinas compradas até o momento "é pra quem quiser tomar, em nenhum momento eu exigi que qualquer cidadão viesse a tomar a vacina".

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