Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro afirma que não tomará vacina contra a covid-19

Presidente também afirma que vai autorizar a compra de todos os imunizantes que tiverem registro da Anvisa

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 17h03

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 15, que não vai tomar a vacina contra a covid-19. A declaração foi dada ao apresentador José Luiz Datena, da TV Band. Ele já foi diagnosticado com a doença em julho, mas cientistas ainda não sabem por quanto tempo as pessoas ficam protegidas de se infectar novamente.

"Eu não posso falar. Como cidadão é uma coisa e como presidente é outra. Mas como eu nunca fugi da verdade, eu digo: Eu não vou tomar a vacina. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final", afirmou o presidente, respondendo ao apresentador sobre a vacina contra covid-19.

"Desde o começo eu falei que esse vírus é que nem chuva, vai pegar em todo mundo. E outra coisa, Datena, você tomando a vacina, daqui a dois, três ou quatro anos vai ter que tomar de novo, caso contrário vai poder ser infectado. Temos de respeitar quem não queira tomar. Não pode ser obrigatória", defendeu.

Bolsonaro ainda afirmou que "vai dar sinal verde" para qualquer imunizante contra a doença que tenha registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Deixei pronta em Brasília para publicar hoje ou amanhã uma MP destinando R$ 20 bilhões para nós comprarmos uma vacina. Qual vacina? Aquela que passar pelo crivo da Anvisa. Passou, a gente compra, sem problema nenhum", explicou.

Sobre tomar a imunização, Bolsonaro tem repetido que não haverá obrigatoriedade de tomar a vacina, tema que será discutido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) esta semana. Apoiadores do presidente também têm feito nas redes sociais uma defesa da não exigência do imunizante. A postura é diferente de outros líderes, como os ex-presidentes americanos Barack Obama, George Bush e Bill Clinton, que disseram que pretendem tomar a vacina com cobertura das TVs, como forma de aumentar a confiança da população. 

Inicialmente, o presidente manifestou resistência à Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês e o Instituto Butantã, ligado ao governo de São Paulo, de João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro. Nos últimos dias, porém, o governo federal tem afirmado que vai adquirir todos os imunizantes que tenham registro da Anvisa. 

O presidente ainda aproveitou para defender o tratamento precoce contra covid-19, que não tem qualquer comprovação científica. "Na bula do medicamento está escrito que a empresa não se responsabiliza por qualquer efeito colateral. Isso acende uma luz amarela. A gente começa a perguntar para o povo: 'você vai tomar essa vacina?' A grande mídia não fala em remédio. O que é remédio? É hidroxicloroquina, é Anita, ivermectina.(...) Eu, Jair Bolsonaro, não sou contra a vacina, mas sou plenamente favorável a esse tratamento preventivo. Enquanto não tiver uma vacina realmente confiável, uma vez contraindo a covid, eu recomendo que faça o tratamento preventivo."

 

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