Ueslei Marcelino/Reuters - 03/03/2022
Ueslei Marcelino/Reuters - 03/03/2022

Bolsonaro diz que Queiroga vai decretar ‘fim da pandemia’ no mês que vem

O plano do governo é reduzir reduzir o status da covid-19 no Brasil de pandemia para endemia, embora a OMS não tenha decisão sobre o assunto

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 14h36

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou em entrevista à TV Ponta Negra, afiliada do SBT no Rio Grande do Norte, que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai decretar o “fim da pandemia” por meio de uma portaria no início do mês que vem. 

Já revelado por Queiroga, o plano do governo é reduzir reduzir o status da covid-19 no Brasil de pandemia para endemia, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) não tenha decidido nada nesse sentido. 

“Devemos, a partir do início do mês, com decisão do ministro da Saúde, colocar o fim da pandemia”, disse Bolsonaro na entrevista. “Não se justifica mais todos esses cuidados no tocante ao vírus, praticamente acabou. Parece que acabamos a situação da pandemia”, acrescentou.

Reconhecimento de pandemia mobilizou ação integrada de países

Na prática, uma doença se torna uma pandemia quando atinge vários continentes de forma intensa. Quando uma enfermidade é classificada dessa forma, países adotam uma série de medidas específicas para combatê-la, como ocorreu a partir de 2020.

A endemia, por sua vez, seria uma doença que, embora tenha frequência acima do esperado em determinada região, convive com a população de forma contínua. Ao classificar a covid dessa maneira, um governo indica que tem meios suficientes para controlar a doença e abre brecha para eliminar uma série de medidas restritivas.

Especialistas apontam que, para além do quesito prático, que pode variar bastante, há efeito simbólico ao rebaixar os status da doença. “Endemia não é algo que está fora de controle, que está sobrecarregando o sistema de saúde, que está resultando em ondas. É algo mais estável, que se sabe que tem uma maneira de gerenciar”, explicou ao Estadão no início de março a vice-presidente do Instituto Sabin, Denise Garrett.

Segundo ela, a longo prazo, já se previa que o caminho do coronavírus seria se tornar endêmico, uma vez que foram desenvolvidas vacinas específicas para combatê-lo e remédios, como anticorpos monoclonais e antivirais. 

“Em vários aspectos, a gente está caminhando para essa direção de endemia. Mas, quando se decreta precocemente, o que se tem – além das medidas que se toma numa pandemia, e não se toma numa endemia – é um fator mental”, destaca a epidemiologista. Ela entende que naturalmente existem países que controlaram a pandemia de uma melhor forma e que vão atingir um nível endêmico mais cedo. 

A questão, reforça, é que para isso precisam ser adotados parâmetros claros para promover a mudança na classificação da covid do ponto de vista local. “Hoje, abandonar o uso de máscara em ambiente aberto, por exemplo, é justificável, mas não é, ao meu ver, o momento de abandonar em ambiente fechado. É uma evolução: o que é certo hoje não é certo daqui um mês”, diz Denise. “A gente precisa de uma estabilidade antes de tomar essas medidas.” /COLABOROU ITALO LO RE

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