Sergio Lima/AFP
Presidente Jair Bolsonaro em coletiva no Palácio do Planalto Sergio Lima/AFP

Bolsonaro volta a criticar 'alarmismo' e diz que Brasil não pode ser comparado à Itália

Bolsonaro falou na manhã deste domingo, 22, com prefeitos. Balanço mais recente do Ministério da Saúde mostra que o País já tem 18 mortes pela doença e outros 1.128 casos confirmados

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 12h05
Atualizado 22 de março de 2020 | 14h11

BRASÍLIA - Em reunião com prefeitos de capitais na manhã deste domingo, 22, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o que chama de "alarmismo" na crise do novo coronavírus. "Há um alarmismo muito grande por grande parte da mídia. Alguns dizem que estou na contramão. Eu estou naquilo que acho que tem que ser feito. Posso estar errado, mas acho que deve ser tratado dessa maneira", afirmou.

Bolsonaro fez as declarações ao ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem liderado as ações do governo federal no combate à pandemia. O presidente também disse que a situação da doença no Brasil não deve ser comparada à de países da Europa.

"Não podemos nos comparar com a Itália. Lá o número de habitantes por quilômetro quadrado é 200. Na França, 230. No Brasil, 24. O clima é diferente. A população lá é extremamente idosa. Esse clima não pode vir pra cá porque causa certa agonia e causa um estado de preocupação enorme. Uma pessoa estressada perde imunidade", afirmou o presidente.

Bolsonaro deixou a reunião antes do fim. Chegou à sede do Ministério da Saúde às 9h42 e deixou o local às 11h26. Ao deixar a videoconferência, o presidente parabenizou os prefeitos por colocarem "o interesse público acima de qualquer coisa".

Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no final da tarde deste sábado, 21, mostra que o Brasil já tem 18 mortes pela doença e outros  1.128 casos confirmadosSão Paulo concentra o maior número de óbitos, 15, e de casos suspeitos, 459.

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Bolsonaro volta a criticar 'alarmismo' e diz que Brasil não pode ser comparado à Itália

Bolsonaro falou na manhã deste domingo, 22, com prefeitos. Balanço mais recente do Ministério da Saúde mostra que o País já tem 18 mortes pela doença e outros 1.128 casos confirmados

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 12h05
Atualizado 22 de março de 2020 | 14h11

BRASÍLIA - Em reunião com prefeitos de capitais na manhã deste domingo, 22, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o que chama de "alarmismo" na crise do novo coronavírus. "Há um alarmismo muito grande por grande parte da mídia. Alguns dizem que estou na contramão. Eu estou naquilo que acho que tem que ser feito. Posso estar errado, mas acho que deve ser tratado dessa maneira", afirmou.

Bolsonaro fez as declarações ao ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem liderado as ações do governo federal no combate à pandemia. O presidente também disse que a situação da doença no Brasil não deve ser comparada à de países da Europa.

"Não podemos nos comparar com a Itália. Lá o número de habitantes por quilômetro quadrado é 200. Na França, 230. No Brasil, 24. O clima é diferente. A população lá é extremamente idosa. Esse clima não pode vir pra cá porque causa certa agonia e causa um estado de preocupação enorme. Uma pessoa estressada perde imunidade", afirmou o presidente.

Bolsonaro deixou a reunião antes do fim. Chegou à sede do Ministério da Saúde às 9h42 e deixou o local às 11h26. Ao deixar a videoconferência, o presidente parabenizou os prefeitos por colocarem "o interesse público acima de qualquer coisa".

Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no final da tarde deste sábado, 21, mostra que o Brasil já tem 18 mortes pela doença e outros  1.128 casos confirmadosSão Paulo concentra o maior número de óbitos, 15, e de casos suspeitos, 459.

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Mandetta defende adiar eleições de 2020 para conter coronavírus

Ministro da Saúde propôs medida em reunião com prefeitos para tratar do novo coronavírus

Felipe Frazão, Vinícius Valfré e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 12h46
Atualizado 22 de março de 2020 | 20h15

BRASÍLIA – Sugerido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o adiamento das eleições municipais de 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus enfrenta resistência na classe política e na cúpula do Judiciário. A avaliação mais recorrente é a de que a discussão está “fora de hora” e que os Poderes devem focar o enfrentamento da doença e às consequências das crises sanitária e econômica no País.

A proposta de Mandetta foi apresentada durante reunião com prefeitos de capitais, neste domingo, 22, realizada por videoconferência. A preocupação do ministro é a de que interesses eleitorais influenciem medidas para contenção do novo coronavírus.

“Está na hora de o Congresso falar: ‘adia’, faz um mandato tampão desses vereadores e prefeitos. Eleição no meio do ano... uma tragédia, por que vai todo mundo querer fazer ação política”, disse.

A ideia de postergar o pleito de outubro, quando a população escolherá prefeitos e vereadores, já circulava nos bastidores do Congresso. Propostas de emenda à Constituição (PECs) para alteração da data estão sendo elaboradas por parlamentares.

Apesar do apelo de Mandetta, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, não cogita, por ora, adiar as eleições municipais. Barroso assumirá o comando do TSE em maio, no lugar de Rosa Weber, e será o chefe do tribunal durante o pleito agendado para outubro.

Em nota, contudo, Barroso ressaltou que é papel do Congresso decidir a respeito. “Se o adiamento vier a ocorrer, penso que ele deva ser apenas pelo prazo necessário e inevitável para que as eleições sejam realizadas com segurança para a população. A realização de eleições periódicas é um rito vital para a democracia”, afirmou.

Correligionário de Mandetta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Estado que haverá condições para realização das disputas em todo o País, se as projeções do ministro da Saúde estiverem corretas. Na sexta-feira, dia 20, Mandetta previu um aumento das infecções em abril, maio e junho, seguido de estabilização em julho e agosto, e decréscimo da curva de contaminação em setembro.

“Hora de focar no enfrentamento da crise. Vamos cuidar do combate ao vírus”, disse Maia. “Se a projeção na curva de contaminação do ministro Mandetta estiver certa, não haverá necessidade de adiar a eleição”.

Para outros líderes, porém, as projeções de Mandetta indicam exatamente o contrário. “Se as previsões dele (Mandetta) forem corretas, realmente fica inviável ter eleições este ano. Tem de ser debatido”, afirmou o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Embora o calendário autorize as propagandas eleitorais somente a partir de 16 de agosto, as pré-campanhas começam antes, com intensas agendas de negociações.

A posição de Maia coincide com a da maior parte dos dez presidentes de partido e líderes de bancadas ouvidos pelo Estado. Embora admitam que talvez seja inevitável cancelar as eleições de outubro, sugerem que o assunto seja tratado apenas em maio ou junho, quando o governo prevê o pico da covid-19 no Brasil.

“Não há clima para tratar disso agora. Essa decisão terá que ser tomada mais pra frente. Penso que, em junho, diante dos prognósticos, o assunto terá que ser decidido”, afirmou o prefeito de Salvador, ACM Neto, que não pode ser reeleito e preside o DEM nacionalmente.

PT e PSDB dizem que debate sobre adiamento não é urgente

Mesmo PT e PSDB, que haviam anunciado o adiamento de convenções partidárias, dizem que o debate não é urgente e precisa envolver todos os Poderes. “Parece que o ministro tem mais medo de eleição do que de vírus. O País vai discutir isso na hora certa”, afirmou a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT. “Há discussões sobre alternativas, como ajustar o calendário eleitoral neste ano, mas ainda não é hora disso. Congresso, TSE e STF terão serenidade de tratar isso no momento adequado”, comentou Bruno Araújo, presidente do PSDB.

Entre os partidos de esquerda, há adesão à tese de Mandetta, mas com críticas à intenção de tratar do assunto agora. “Isso vai se impor, as eleições vão acabar sendo adiadas. Mas estamos mais preocupados neste momento em salvar as pessoas”, frisou Fernanda Melchionna (RS), líder do PSOL na Câmara. “Me impressiona que, no meio de uma crise tão severa, de sobrevivência de parte da nossa população, se tenha tempo e cabeça de tratar disso”, disse a deputada Perpétua Almeida (AC), líder do PCdoB.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, defende que a questão seja, sim, debatida. “Ainda não sabemos se será necessário, mas é bom admitirmos a discussão porque isto pode ser uma imposição da realidade”, disse ao Estado. Já Marcos Pereira, presidente do Republicanos e vice-presidente da Câmara, avaliar ser “muito cedo” para analisar a questão.

Há, ainda, os que veem como inevitável o adiamento eleitoral, mas apresentam forte resistência à ideia de prorrogar o mandato dos atuais prefeitos e vereadores até as próximas eleições gerais, em 2022. É o caso do presidente do PDT, Carlos Lupi. “Se (a pandemia) continuar se agravando como está, é provável (adiar as eleições). Mas somos contra prorrogação de mandato”, ponderou.

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Governo quer antecipar formatura de estudantes de Medicina

De acordo com o governo, ideia não é colocar os formandos em etapas críticas de atendimento; medida semelhante foi adotada na Itália

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 14h05

BRASÍLIA - Para reforçar as equipes de profissionais de saúde no combate ao novo coronavírus, o governo federal quer a antecipação de formaturas dos estudantes que estão na etapa final da formação em medicina. Uma medida semelhante foi adotada na Itália, onde a doença já levou mais de 4,8 mil pessoas à morte. O Brasil tem confirmadas 18 mortes e 1.128 casos suspeitos, de acordo com o Ministério da Saúde.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre a estratégia neste domingo, 22, em reunião com prefeitos, feita por videoconferência. 

"Vamos antecipar agora os meninos do sexto ano que faltam um ou dois meses para se formarem.  Vamos acelerar. Esses meninos são jovens. Não têm experiência, mas podem fazer uma parte do atendimento. Têm 7,3 mil horas de capacitação. Façam uma imersão para eles", orientou o ministro.

A ideia não é lançar os formandos em etapas críticas de atendimento, como nos centros de terapia intensiva, mas alocá-los em algum processo de maneira que se permita o melhor aproveitamento de outros profissionais.

O ministro também deu orientações aos prefeitos sobre o que fazer com profissionais do sistema público de saúde com mais de 60 anos. A recomendação é  não afastá-los, mas direcioná-los para alguma atividade que não demande o contato direto com pacientes com suspeitas de coronavírus.  

"Vocês têm inúmeras possibilidades. Não pensem no médico somente como o indivíduo que vai ficar na frente sofrendo doença e caindo morto. Não existe médico que não possa ser chamado", afirmou.

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