Reprodução/Facebook
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Bolsonaro lê suposta carta de suicida para criticar medidas de lockdown; Eduardo repete gesto

Sem provas, presidente associa aumento de mortes do tipo às políticas de isolamento; governadores têm fechado atividades econômicas para frear a transmissão do vírus, o que tem sido recomendado por especialistas

André Borges e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 22h34

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro resolveu ler a suposta carta de um suicida nesta quinta-feira, 11, para reforçar suas críticas às medidas de isolamento social tomadas por Estados e municípios no combate à covid-19. Com a carta nas mãos, responsabilizou o lockdown por casos de suicídio no Brasil.

Depois de ler um trecho, Bolsonaro disse que a culpa é do fechamento dos comércios. “O efeito colateral do lockdown está sendo mais danoso que o próprio vírus. Devemos estimular, sim, fazer uma campanha para o idoso ficar em casa, para quem tem doenças e comorbidades, ficar em casa. E o resto, pessoal, tomar as medidas que estão sendo usadas no momento e vamos trabalhar, pô!”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um manual para profissionais de mídia sobre como fazer a abordagem de suicídios na imprensa. O documento recomenda não divulgar cartas ou fotografias da pessoa que morreu. Também orienta a não dar explicações simplistas, fazer sensacionalismo sobre o caso ou descrever detalhes sobre o método utilizado. Não há estudos que relacionem as políticas de isolamento social a eventual aumento de suicídios no Brasil durante a pandemia da covid-19. 

Bolsonaro voltou a se queixar que o chamam de “genocida” e disse que medidas de isolamento estão matando as pessoas. “Eu tenho de estar no meio do povo, eu sou chefe. Tenho de estar no meio da tropa”, afirmou. “Estou preocupado com morte, mas temos de enfrentar o vírus. Não tem como deixar o povo dentro de casa mais. Não é questão de paciência, é uma questão de sobrevivência.”

Durante a live, o presidente fez críticas recorrentes a medidas de lockdown decretadas por Estados, em especial por São Paulo e pelo Distrito Federal, e classificou essas ações como “estado de sítio” e “crime”. Especialistas na área da saúde têm recomendado as políticas de quarentena como única solução para frear o contágio e evitar o colapso dos sistemas de saúde neste momento de pico da pandemia. 

Eduardo Bolsonaro repete gesto do pai e é alvo de críticas

Um dia após usar expressão chula num vídeo sobre máscaras de proteção contra a covid-19, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a causar polêmica. Repetindo o gesto do pai, ele publicou nas redes sociais nesta quinta, 11, foto de uma suposta carta suicida e do cadáver de um trabalhador endividado.

A publicação provocou reações contrárias, mas também a favor, entre os 1,4 mil comentários à postagem na página oficial de Eduardo Bolsonaro no Facebook. 

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