Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro quer que ministro da Ciência e Tecnologia cuide da 'vacina brasileira'

Vice-líder do governo no Congresso, o senador Jorginho Mello (PL-SC) disse que presidente escalou Marcos Pontes para desenvolver um imunizante

Daniel Weterman e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2021 | 22h02

BRASÍLIA - Diante do crescimento das críticas ao governo por causa da falta de vacinas contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro determinou à sua equipe que consiga matéria-prima para imunizantes onde for possível comprar. Vice-líder do governo no Congresso, o senador Jorginho Mello (PL-SC) disse que Bolsonaro escalou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, para desenvolver uma “vacina brasileira”.

“O presidente está preocupado em imunizar a população para que todos retomem as atividades de trabalho. Está negociando com a China”, disse Mello, que conversou com Bolsonaro nesta quarta-feira, 20, à tarde. O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dependem do envio de insumos chineses - Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) - para produção dos imunizantes no Brasil. O Brasil iniciou a vacinação no domingo, 17, mas, sem matéria-prima necessária para fabricar mais doses, a previsão é de que a campanha seja interrompida após a primeira leva.

Bolsonaro se reuniu na manhã desta quarta-feira, 20, com os ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura), Fábio Faria (Comunicações) e Augusto Heleno (Segurança Institucional) e cobrou medidas para solucionar o atraso na importação de insumos da China e vacinas da Índia.

À tarde, Pazuello, Tereza Cristina e Fábio Faria fizeram uma conferência telefônica com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. De acordo com a embaixada, o objetivo era discutir "a cooperação antiepidêmica e de vacinas entre os dois países".

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter informações de que não havia diálogo entre o governo brasileiro e a embaixada. Em clara resposta a Maia, o Palácio do Planalto, por meio de nota oficial, afirmou que o governo federal "é o único interlocutor oficial com o governo chinês".

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