DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Bolsonaro suspende viagem à Polônia, Hungria e Itália por causa de epidemia de coronavírus

Norte italiano é um dos locais que concentram maior quantidade de casos na Europa; Brasil tem 8 casos confirmados

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 18h31

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro decidiu suspender temporariamente sua visita à Polônia e à Hungria, programada para o fim de abril, por causa do avanço da epidemia do coronavírus pela Europa. Na semana passada, diante do aumento de casos na Itália, Bolsonaro já havia anunciado a possibilidade de cancelar a ida ao país, que fazia parte do roteiro.  

A viagem pelos três países pode ser reprogramada, mas ainda não há uma data definida, segundo auxiliares do presidente. Neste sábado, porém, Bolsonaro embarca para a Flórida (EUA). Há nos Estados Unidos onze mortes por causa da doença.

A viagem à Polônia, que tem apenas um caso do coronavírus confirmado, foi anunciada por Bolsonaro em fevereiro, após ele receber a visita do chanceler polonês Jacek Czaputowicz no Palácio do Planalto.  O roteiro incluiria a Hungria, que não tem registros da doença. Os dois países se tornaram expoentes da direita na Europa, com os quais o governo Bolsonaro busca criar uma aliança conservadora.

Ao Estado em fevereiro, Bolsonaro disse que gostaria de “esticar” a viagem para ir à Itália visitar a Região de Luca, na Toscana, de onde vieram seus avós. O país tem 2.502 confirmados do Covid-19, com 80 mortes.

O Brasil já tem oito casos confirmados do novo coronavírus e já há transmissão local da doença, segundo balanço divulgado nesta quinta pelo Ministério da Saúde. São seis casos em São Paulo, 1 no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo.  No Distrito Federal, uma mulher de 23 anos tem o teste positivo e aguarda a contraprova.

Aliança conservadora pela Europa

Polônia e Hungria integram, ao lado do Brasil, a Aliança pela Liberdade Religiosa, lançada no mês passado nos Estados Unidos. A iniciativa é do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e tem o objetivo de atrair países governados pela direita nacionalista.

O roteiro Polônia, Hungria e Itália vem sendo ensaiado desde o ano passado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho zero três do presidente, que busca aproximação com líderes da direita no mundo.

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, Eduardo visitou a Hungria, do primeiro-ministro Viktor Orbán, e também a Itália em abril de 2019. Na ocasião, o parlamentar se encontrou com o então vice-premiê e ministro do Interior Matteo Salvini, do partido de extrema-direita Liga.

Em setembro de 2019, a Itália passou a ser governada pela centro-esquerda. Salvini, no entanto, anunciou que tentará retornar ao poder em 2020 e, em entrevista à imprensa italiana, disse que deseja formar uma aliança de líderes nacionalistas com a participação de Bolsonaro. Outros citados foram Donald Trump (Estados Unidos) e Boris Johnson (Reino Unido).

Polônia e Hungria, junto com República Checa e Eslováquia, formam o Grupo Visegrado, em que a direita nacionalista está no comando. Desde 2010, Orbán é defensor do que chama de “democracia não liberal” e se mantém no poder unindo nacionalistas e ultraconservadores na Hungria. Já a Polônia é governada pelo presidente da extrema direita Andrzej Duda, do Partido Lei e Justiça, desde 2015.

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