Botox pode prejudicar sistema nervoso, dizem pesquisadores

Segundo cientistas italianos, a toxina botulínica pode se infiltrar nas fibras nervosas e em partes do cérebro

02 de abril de 2008 | 18h17

A beleza está apenas a superfície da pele, mas os efeitos do botox podem não estar. O pesquisador Matteo Caleo, do Instituto de Neurociência da Itália, em Pisa, constatou que a toxina botulínica, usada como um cosmético no tratamento anti-rugas, pode se infiltrar nas fibras nervosas e dentro do cérebro alguns dias após a aplicação, segundo publicação desta quarta-feira, 2, no site da revista New Scientist.  Enquanto os efeitos são desconhecidos, novas dúvidas surgem em relação a segurança da droga, que se diz permanecer no local da injeção.  O Botox rompe a sinalização nervosa da pele pela proteína chamada SNAP-25, que ajuda a transportar os neurotransmissores. Para testar se ele poderá afetar os sinais nervosos em outras partes do corpo, a equipe de Caleo aplicou injeções com a toxina em vários pontos no face e cérebro de ratos e monitoraram sua disseminação, procurando por fragmentos de SNAP-25 destruídos pela droga.  A toxina se propagou do local da injeção apenas três dias após a aplicação. Os ratos que receberam a dose botulínica num de seus hipocampo (parte do cérebro) mostraram evidências de quebra do SNAP-25 na região frontal do cérebro. Já os animais que receberam a droga nos músculos tiveram sinais de atividade botulínica nas estruturas nervosas. "Suspeitamos que esta propagação é uma ocorrência comum após a entrada da toxina", disse Caleo. A Food and Drug Administration, órgão do governo norte-americano que controla as áreas médica e alimentar, está revisando a segurança do Botox devido aos temores existentes que a droga, ocasionalmente, pode provocar dificuldades respiratórias e morte. Mas Caleo afirma que sua conclusão não é necessariamente uma má notícia. "Podemos imaginar que alguns destes distantes efeitos são ainda benéficos para os pacientes", afirma.

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