Antonia Lacerda/EFE
Antonia Lacerda/EFE

Brasil acompanha situação na Itália, mas não há restrição de viagens, diz Ernesto Araújo

'Não faríamos nada isoladamente', afirma ao 'Estado' o ministro das Relações Exteriores sobre o avanço do coronavírus na Europa

Camila Turtelli e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 16h13

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está acompanhando a situação do novo coronavírus na Itália e seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar que a epidemia chegue ao País.  "Não faríamos nada isoladamente", disse o ministro ao Broadcast e ao Estadão nesta segunda-feira, 24. Segundo o chanceler, por enquanto não não há qualquer recomendação para que brasileiros não viagem à Itália.

Segundo o chanceler, o acompanhamento está sendo feito por meio do Ministério da Saúde.  Após surgir na China e provocar mais de 2.500 mortes no país asiático, os casos do novo coronavírus começaram a se propagar com velocidade na Itália. Foram ao menos 219 casos registrados e seis mortes, segundo os últimos relatos. 

Diante da situação, o governo italiano colocou ontem ao menos 11 cidades no norte do país sob quarentena numa tentativa de conter a propagação do vírus. 

Ministério da Saúde vai anunciar nesta segunda-feira, 24, que incluirá na lista de países com alerta de novo coronavírus a Itália e o Irã, passando a considerar suspeito da doença passageiros que chegarem ao Brasil com sintomas da doença. Segundo apurou o Estado com integrantes da pasta, o novo enquadramento é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro destes países.

Mais cedo, ao Broadcast/Estadão, o embaixador do Brasil em Roma, Helio Vitor Ramos Filho, afirmou que tem feito relatos diários ao governo brasileiro sobre a situação do novo coronavírus no país europeu. 

"Desde a primeira incidência, temos feito relatórios diários para Brasília, sobre o tratamento da doença na Itália e todas as orientações que os italianos estão comunicando", disse Ramos Filho.

Araújo confirmou que tem recebido os relatórios, mas reforçou que seguirá as orientações da OMS para eventuais restrições de circulação. 

OMS diz que aumento de casos é "profundamente preocupante"

Nesta segunda, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considerou "profundamente preocupante" o aumento de casos de coronavírus registrado na Itália, no Irã e na Coreia do Sul. 

Com oito mortes confirmadas, o Irã se tornou neste domingo, 23, o país fora da China em que houve mais vítimas. Ao todo, são 43 casos confirmados entre os iranianos. Na Coreia do Sul, o governo local elevou o grau de alerta ao máximo após o rápido avanço do vírus. O país asiático registrou quatro mortes pela pneumonia viral e 602 casos de contágio.

Em pronunciamento nesta segunda-feira, Ghebreyesus disse que há especulação de que esses casos em novos países podem significar que o avanço do vírus já caracteriza uma pandemia. "No momento, não vemos avanço global incontido do vírus e não vemos mortes em alta escala", disse ele. "O vírus tem potencial pandêmico? Com certeza. Estamos lá? Achamos que ainda não."

 

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