REUTERS/Jonathan Alcorn
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Brasil caminha para cortar em mais de 50% taxa de fumantes, diz OMS

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o País retirará do mercado do cigarro 8 milhões de brasileiros em 25 anos

Jamil Chade, Correspondente

31 Maio 2018 | 03h00

GENEBRA -  O Brasil caminha para conseguir reduzir em mais de 50% a taxa da população que fuma até 2025, numa das reduções mais importantes do mundo. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o País retirará do mercado do cigarro 8 milhões de brasileiros em 25 anos. 

+ Com hábito em queda, proporção de fumantes diminui para 10,1% nas capitais

A OMS comemora nesta quinta-feira o dia internacional contra o tabaco e revela que 27% da população do planeta fumava em 2000. Em 2016, essa taxa caiu para 20%. Entre os homens, a taxa de uso de tabaco caiu de 43% para 2000 para 34% em 2016. Entre as mulheres, ela foi reduzida de 11% em 2000 para 6% em 2016.

No caso do Brasil, a queda é ainda mais forte. No ano 2000, 24,7% da população brasileira fumava. Cinco anos depois, a taxa já caiu para 20,6%. Em 2010, ela era de 17,2% e, em 2016, chegou a 14%.

Hoje, 10% das mulheres fumam, contra 18% no caso dos homens.  Isso representa, segundo a OMS, um total de 22 milhões de fumantes, dos quais 17,9 milhões deles consomem tabaco diariamente. 

Mas as projeções da OMS apontam que esse número brasileiro continuará caindo. Em 2020, apenas 12,2% dos brasileiros estarão fumando. Em 2025, serão apenas 10,3% dos brasileiros usuário de tabaco. Em 25 anos, o Brasil passaria de ter 28,5 milhões de fumantes para 20,4 milhões, mesmo em um período em que a população nacional crescerá.  

Se o Brasil é destacado como um exemplo, a agência mundial da Saúde deixa clara que está preocupada com o ritmo da queda do consumo de tabaco no mercado global.  Segundo seu levantamento, a atual redução ainda é insuficiente para que a comunidade internacional atinja as metas de redução de doenças não transmissíveis, doenças cardiovasculares e mortes. Para a OMS, existe uma relação direta entre essas doenças e o consumo de tabaco. 

A meta é a de cortar o uso de tabaco em 30% entre 2010 e 2025. Mas, no atual ritmo, o mundo atingiria uma redução de apenas 22%. 

A avaliação da entidade é que 7 milhões de pessoas morrem ao ano por conta do uso do cigarro ou por sua exposição à fumaça. “Muitos sabem que o tabaco causa câncer e doenças nos pulmões. Mas muitos não sabem do risco de doenças cardíacas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. 

Uma pesquisa realizada pela entidade mostrou as falhas na informação ainda aos fumantes sobre o impacto do cigarro. Na China, por exemplo, 60% da população desconhecia a relação entre ataque cardíaco e o cigarro. Na Índia e Indonésia, essa taxa era de 50%. “Governos tem o poder de proteger seus cidadãos de doenças desnecessárias”, disse Douglas Bettcher, diretor da OMS para a prevenção de doenças não transmissíveis.

Para Svetlana Axelrod, também da OMS, governos precisam adotar políticas que conduzem sua população a parar de fumar. Entre as medidas estão os impostos, banir publicidade e controlar embalagens. 

Os dados da OMS, ainda assim, estimam que 1,1 bilhão de pessoas no mundo fumam atualmente. Desde o início do século, o número total esteve praticamente inalterado, ainda que a população global tenha aumentado. Entre os menores, a OMS estima que 24 milhões de crianças entre 13 e 15 anos sejam usuárias de tabaco, cerca de 7% dessa população. 

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Pesquisa revela que 72% dos brasileiros que tentam parar de fumar não conseguem

Estudo obtido com exclusividade pelo Estado revela que taxa de “fracasso” é elevada

Jamil Chade, Correspondente

31 Maio 2018 | 03h00

GENEBRA - Apesar da queda importante no número de fumantes no Brasil, um estudo revela que muitos não encontram alternativas ou apoio para deixar o tabaco e acabam fracassando em sua busca por se livrar do vício. 

+ Com hábito em queda, proporção de fumantes diminui para 10,1% nas capitais

Um levantamento realizado pela Fundação Para um Mundo Livre de Fumo, nos EUA, revela que ainda que nove entre dez fumantes no Brasil dizerem estar cientes de que fumar é perigoso, 72% deles admitem que não tiveram sucesso em suas tentativas de parar de fumar. 

Na avaliação da entidade, a pesquisa reforça a importância de criar mecanismos para ajudar os fumantes a ter novas opções para largar o vício. "Os dados mostram o que sabemos há décadas - que muitos fumantes têm o desejo de parar, mas não encontram os meios para isso", explica Derek Yach, presidente da Fundação e que esteve diretamente envolvido com o desenvolvimento do Tratado Mundial para Controle do Tabaco. 

Ex-diretor-executivo da OMS, Yach insiste que, mesmo no Brasil, onde os esforços para parar de fumar foram parcialmente bem-sucedidos, milhões ainda continuam a ameaçar sua saúde fumando tabaco todos os dias. “É evidente que houve avanços significativos no Brasil, mas ainda há muito trabalho a ser feito”, diz Yach.

“Desde que o Royal College of Physicians descobriu há 2 anos que a redução de danos tem enorme potencial para prevenir a morte decorrente do uso do tabaco, continuamos a ignorar o fato de que muitos fumantes não querem parar porque obtêm prazer ao fumar. Os avanços em produtos para redução de danos são literalmente uma questão de vida ou morte para essas pessoas”, completou o especialista.

O estudo também revela que 57% dos fumantes brasileiros que tentaram parar disseram que precisariam de ajuda para conseguir atingir esse objetivo.

A informação, porém, não seria o problema. 83% dos fumantes relatam que estão “bem informados” sobre o impacto do tabagismo na saúde, enquanto 69% dos fumantes disseram que planejam parar.

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