Pavel Golovkin/AP
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Brasil começa produção da vacina Sputnik V mesmo sem autorização de uso emergencial da Anvisa

Grupo União Química, responsável pelo insumo no País, garante ter capacidade para fabricar 8 milhões de doses ao mês

João Ker, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 12h04
Atualizado 21 de janeiro de 2021 | 19h07

O Brasil já começou a produzir em território nacional doses da vacina russa contra a covid-19, Sputnik V. A informação foi anunciada por Kirill Dmitriev, presidente do Fundo Russo de Investimento Direto na manhã desta quinta-feira, 21, e confirmada pelo Estadão

De acordo com Rogério Rosso, diretor de negócios internacionais do Grupo União Química, a produção foi iniciada com um lote piloto de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), o princípio ativo do imunizante. Ele afirma que é possível produzir 8 milhões de doses por mês no País, assim que sua planta em Brasília, a Bthek, estiver operando em capacidade máxima. 

Nesta manhã, Dmitriev anunciou que pretende resolver as questões pendentes para aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “nas próximas semanas”. A expectativa é aumentar o nível de produção ainda em fevereiro. 

Hoje, o País não tem doses suficientes de IFA para dar continuidade à vacinação com os imunizantes produzidos pelo Instituto Butantan/Sinovac nem pela Universidade de Oxford/Astrazeneca. O governo federal tenta, ainda sem sucesso, importar esse insumos da China e da Índia.

A farmacêutica se reuniu nesta quinta com representantes da Anvisa para falar sobre o uso emergencial da Sputnik V no Brasil. Na última sexta-feira, 15, o Grupo União Química protocolou junto à agência um pedido para a utilização de 10 milhões de doses no País, quantitativo que a empresa pretende distribuir ainda no primeiro trimestre deste ano. 

No sábado, 16, a Anvisa rejeitou o pedido enviado na véspera pela União Química e pelo Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF), alegando que o documento não cumpria "requisitos mínimos" para a aplicação emergencial das doses no Brasil. Ontem, o Supremo Tribunal Federal deu 72 horas para que a agência confirme o recebimento do pedido, o estágio de análise do requerimento e eventuais pendências para a aprovação do imunizante.

Em nota divulgada após a reunião, a Anvisa afirmou que o laboratório afirmou estar interessado "em cumprir todas as etapas regulatórias exigidas pela Anvisa para avançar com os estudos clínicos no Brasil". Não foram, porém, apresentados documentos novos para a autorização da pesquisa no Brasil nem submetido pedido de uso emergencial. De acordo com a agência, uma nova reunião de caráter técnico deve ser realizada para avançar no processo da vacina. A data do encontro não foi divulgada.

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