Brasil defende combate ao contrabando em reunião antitabaco

O Brasil elegeu o combate ao contrabando de cigarros e a questão da propaganda como prioridades na primeira reunião dos países que assinaram a Convenção-Quadro do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde. O encontro começou hoje, em Genebra, com a participação de representantes dos 121 países que ratificaram o texto. No primeiro dia do encontro, delegações discutiram temas mais genéricos, como regras de funcionamento, formas de financiamento da convenção e principais protocolos que serão desenvolvidos. Neste ponto é que o Brasil vai defender a discussão do combate ao contrabando de cigarros. Diretora do Instituto Nacional do Câncer e integrante da comitiva brasileira Tânia Cavalcanti afirma que o País considera essencial a rápida criação de um sistema de troca de informações entre países da rota do contrabando. "É um trabalho de combate ao crime organizado", resume. Nesta terça-feira o Brasil deverá fazer seu pronunciamento na reunião. Tânia afirma que o País, nesta segunda fase da convenção, vai fugir um pouco dos holofotes. Uma posição bem distinta da adotada nos últimos seis anos. O Brasil assumiu um papel fundamental na criação da Convenção-Quadro, um acordo internacional com regras para a prevenção e redução do tabagismo. Embora tenha sido um dos primeiros países a assinar o acordo, o Brasil por pouco não ficou fora deste encontro. A ratificação do acordo pelo Senado demorou a ser feita, por pressões de agricultores. Eles diziam temer que o acordo prejudicasse as famílias que plantam fumo. Tânia não acredita que a demora em ratificar o acordo tenha afetado a imagem do País. "Foi uma vitória contra o lobby da indústria. Estivemos perto de perder a batalha, não há dúvida. Mas, mesmo sofrida, conseguimos a ratificação. E é esta a imagem que fica, a de que conseguimos resistir às pressões", afirma. No campo nacional, Tânia afirma que a campanha antitabaco tem duas metas: o aumento do preço dos cigarros brasileiros (dos mais baratos do mundo) e garantir a existência de locais livres de fumo. A primeira depende da anuência também da equipe econômica. Desta vez, na comitiva brasileira estão alguns integrantes do Ministério da Fazenda. "Seria uma grata surpresa se neste encontro fossem anunciadas medidas para aumentar o preço do cigarro", afirmou.

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