Brasil detém tecnologia de reprodução tridimensional para cirurgias em órgãos lesionados

Cópias permitem economia de 60% no tempo das cirurgias e diminui os riscos

Agência Brasil

14 Julho 2011 | 14h45

Goiânia - O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), de Campinas (SP), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), desenvolveu um software para a reprodução tridimensional de órgãos que necessitem de tratamento e de cirurgia.

O software InVesalius permite o uso da imagem de ressonância magnética ou de tomografia computadorizada para recriar uma cópia em tamanho natural imprensa em 3D em gesso, cerâmica, plástico e metal. "Qualquer órgão é reproduzível", explica o matemático e engenheiro mecânico Marcelo Oliveira, especialista do CTI.

Segundo ele, com a tecnologia é possível reproduzir e ampliar células e até pequenas partículas vistas em microscópios, como a proteína de hemoglobina que está no estande do CTI na Expotec, a feira de ciência, tecnologia e inovação que pode ser visitada durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece em Goiânia.

A partir da cópia feita com o InVesalius é possível confeccionar próteses e planejar melhor os procedimentos, o que economiza 60% do tempo de cirurgia, aumenta a precisão e diminui riscos, segundo o especialista.

Conforme Oliveira, a tecnologia tem sido especialmente utilizada em cirurgias de reconstituição craniana e facial, para a produção de próteses do osso fêmur - o que melhora a articulação da prótese com a bacia, evita novas lesões e garante mais conforto aos pacientes.

Cerca de 130 hospitais públicos já utilizaram a tecnologia, que começou a ser desenvolvida em 2001. Mais de 300 cirurgiões brasileiros conhecem o recurso e já utilizaram em 1.980 atendimentos. Há uma rede de mais de 4.750 desenvolvedores de software de cerca de 65 países que participam dos fóruns de discussão para o desenvolvimento da tecnologia, que é considerada pela comunidade científica internacional uma das fronteiras do conhecimento para esta década.

O CTI trabalha atualmente na adaptação do uso do InVesalius com sensores de movimento, que funcionam como mouses virtuais e captam o movimento do cirurgião no centro cirúrgico e evita, assim, o contato com computadores e eventual contaminação.

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