Governo do Estado de São Paulo/Divulgação
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Brasil deve buscar 100% de autonomia na produção de vacinas, dizem especialistas

Imunizantes usados atualmente, como a Coronavac e a vacina de Oxford, têm dependência de insumos estrangeiros. São Paulo e governo federal anunciaram iniciativas nacionais próprias nesta sexta-feira

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2021 | 05h00

Para pesquisadores brasileiros envolvidos em outros estudos de imunizantes contra a covid-19, é importante ter uma vacina nacional porque isso pode nos dar autossuficiência na produção das doses - sem ficar na dependência de receber insumos estrangeiros, como ocorre atualmente com a Coronavac, no Butantan, e a vacina de Oxford/AstraZeneca, na Fiocruz.

O Instituto Butantan anunciou nesta sexta-feira, 26, detalhes sobre a Butanvac, candidata a imunizante contra a covid-19 que deve ser testada em humanos a partir de abril, caso receba autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O governo federal também informou que outros imunizantes nacionais estão em estágio avançado. Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, um deles, desenvolvido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, também aguarda aval da Anvisa para testes.

“Tudo isso tem de ocorrer: investimento em pesquisa, buscar um produto nacional. Só assim vamos ter uma autonomia, porque até agora estamos reféns do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo)”, comenta a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin Vaccine. 

Mas, na visão da pesquisadora, o cronograma apresentado pelo Instituto Butantan não parece muito realista. “É muito otimista, ainda mais considerando todos os atrasos de divulgação de dados que ocorreram com a Coronavac”, diz.

Para o imunologista Jorge Kalil, do Incor, que também está pesquisando uma alternativa de vacina brasileira, a vantagem do imunizante feito com o vírus da doença Newscastle é que ele poderá ser produzido com facilidade pela fábrica que o Butantan já tem para a vacina da gripe. “Mas o importante de uma vacina é a descoberta, não apenas a produção”, destacou o pesquisador ao Estadão

Kalin observa que mesmo a vacina da Farmacore, em parceria com a USP e o Ministério da Ciência e Tecnologia, também tem uma parceria de desenvolvimento com os Estados Unidos. “Não dá, neste momento, para falar em nenhuma vacina desenvolvida 100% no Brasil”, diz.

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