Brasil deve retirar de Wuhan pessoas de outros países, diz Bolsonaro

Aval do presidente para retorno de estrangeiros em avião brasileiro pegou de surpresa autoridades do Ministério da Saúde

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 21h10

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 6, que o Brasil poderá retirar pessoas de outros países de Wuhan, na China, epicentro do surto do novo coronavírus. O Estadão/Broadcast antecipou que havia pedidos de países vizinhos de ajuda do Brasil para repatriação.

“Se tivermos apenas em torno de 40 brasileiros para trazer para cá, como sobrariam em torno de 10 vagas, eu já autorizei a trazer nacionais de outros países. Se for da América do Sul, pousa aqui”, disse Bolsonaro.

O presidente também sugeriu que a equipe brasileira pode retirar poloneses de Wuhan. A Polônia será uma das paradas das duas aeronaves da frota presidencial que o Brasil enviou para a China. “Parece que entrou um pedido da Polônia agora e, obviamente, como vai pousar em Varsóvia, eles foram gentis para conosco, e tem poloneses lá, se quiserem retornar, vêm e desembarcam em Varsóvia”, declarou.

As declarações de Bolsonaro foram feitas durante transmissão nas redes sociais. Segundo o Estado apurou junto a uma autoridade que acompanha discussões sobre o combate à doença, a Argentina pediu auxílio para o retorno de cerca de 15 pessoas. A Embaixada da Argentina no País afirmou mais cedo que não fez pedido formal, mas que está em contato com o governo brasileiro.

O aval de Bolsonaro para retorno de pessoas de outras nações no avião brasileiro pegou de surpresa autoridades da cúpula do Ministério da Saúde. A orientação do Ministério da Defesa era de que não seria possível retirar além de brasileiros de Wuhan, segundo fontes do governo.


Além de 34 pessoas já previstas (entre brasileiros e seus parentes chineses), a aeronave deve retornar com três diplomatas brasileiros, apurou o Estado. Eles viajaram 16 horas de carro de Pequim para Wuhan para apoiar a “Operação Regresso”. Como não será autorizado o retorno deles pela estrada, os diplomatas vão acompanhar o grupo que fará quarentena de 18 dias na Base Aérea de Anápolis ao chegar no Brasil.

O Brasil enviou no final da manhã de quarta-feira, 5, duas aeronaves da frota presidencial para Wuhan. Os aviões param em Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Urumqi (China), antes de pousar no epicentro do novo coronavírus. O trajeto de volta é o mesmo, porém com pouso previsto para ocorrer na madrugada de sábado em Anápolis (Goiás).

O País só decidiu realizar a busca no domingo passado, 2, após apelo de brasileiros que estão no epicentro do coronavírus. Os passageiros serão divididos entre as duas aeronaves, para minimizar riscos de infecção. O médicos também devem se revezar a cada três horas no contato com os passageiros a bordo.

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