Brasil deve se preparar para ameaça maior de dengue, diz OMS

Mudanças climáticas poderão fazer explodir surtos de doenças como dengue, cólera e febre amarela

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2008 | 12h37

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o Brasil terá de estar preparado para uma ameaça cada vez maior de dengue, assim como de outras doenças como cólera e febre amarela. Para marcar o Dia Internacional da Saúde, a entidade da ONU alertou para a explosão de doenças que as mudanças climáticas poderão gerar no futuro, principalmente nos países em desenvolvimento, e pede que os governos fortaleçam seus sistemas de saúde.  Acompanhe o avanço da dengue "A previsão é de um aumento do risco para o Brasil nos próximos anos grandes cidades, e não apenas na zona de matas", afirmou David Haymann, responsável na OMS para a relação entre saúde e meio ambiente. Segundo ele, a entidade está preparando uma equipa para ser enviada ao Brasil para debater a situação. Não ainda uma data para a missão. No mundo, a alta nas temperaturas poderiam colocar mais 2 bilhões de pessoas em risco de serem contaminadas pela dengue até 2080. Parte dessa população estaria na Ásia e América Latina. "A dengue é uma desafio crescente, em particular nas cidades tropicais nos países em desenvolvimento. O número de casos aumentou de forma dramática nos últimos 40 anos", afirmou um documento da OMS.  "A solução para a dengue no Brasil requer uma mudança de comportamentos, tanto dos governos como da comunidade", alertou Margaret Chan, diretora-geral da OMS. Segundo ela, "a dengue é um problema com muitas dimensões e as mudanças nas chuvas tem sim contribuído para o aumento no número de casos". Para ela, o Brasil precisa "se preparar para o pior dos cenários". "Vemos um aumento no número de casos a cada ano e isso é preocupante", disse. Segundo Chan, uma das formas para lidar com o problema terá de ser a promoção de campanhas de educação. "Essa é a uma doença que exige um esforço de todos, tanto do governo como das comunidades. Em Cingapura o governo conseguiu reduzir o número de casos com ações relativamente simples. Uma delas era orientar as pessoas a colocar uma colher de sal ou açúcar nas águas dos vasos. São coisas como essa que farão a diferença", afirmou Chan.  Segundo ela, o mosquito da dengue conseguiu se modificar nos últimos anos e agora pode recriar em pequenas quantidades de água parada. "Além disso, a urbanização e maiores chuvas causadas pelas mudanças climáticas estão colocando o tema como um ponto importante para os governos", disse.  LEIA MAIS INFORMAÇÕES NA EDIÇÃO IMPRESSA DESTA TERÇA-FEIRA DE 'O ESTADO DE S. PAULO'

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