Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Brasil divide mal gastos com saúde, diz Arminio Fraga

Para o economista e ex-presidente do Banco Central, envelhecimento da população pode pressionar ainda mais o sistema de saúde

Ícaro Malta, especial para o Estadão

20 de outubro de 2021 | 19h19

Durante a palestra "Caminhos para o sistema de saúde" no terceiro dia do Summit Saúde Brasil 2021, organizado pelo Estadão, o economista e fundador do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) Arminio Fraga afirmou que o tamanho do investimento em saúde realizado no Brasil está na média global, mas que o problema está na divisão dos gastos. "O Brasil investe 9% do seu PIB em saúde, e isso se equipara aos outros países. A divisão desses gastos é completamente diferente: 4% do PIB vai para a saúde pública e 5% para a saúde privada", explicou Fraga.

Ainda segundo o economista, essa disparidade afeta os mais pobres. "A saúde pública atende três quartos da nossa população, a privada atende o outro quarto", afirmou.

No campo de tendências, Fraga ainda comentou que os gastos com saúde devem subir nos próximos 30 anos. "O Brasil está envelhecendo, e rápido. E vai ser necessário gastar mais com a população mais idosa", disse o economista. Segundo a projeção dele, esse gasto deveria ser de 3% a 4% a mais do PIB brasileiro.

Fraga ainda afirmou que o gasto com saúde ainda não é uma prioridade no Brasil. "Talvez faltasse uma tragédia como essa que estamos vivendo agora", afirmou. Para o ex-presidente do Banco Central, o governo federal "deixou a desejar" no combate à pandemia, além de demonstrar "pouco respeito à ciência".

Para o economista, gasto em saúde é investimento para o desenvolvimento do País. "Saúde gera bem-estar, é claro, mas também gera mais produtividade", afirmou.

Como desafios, Fraga afirmou que o sistema de saúde do Brasil fica sobrecarregado por uma tripla carga: "doenças infecciosas, doenças crônicas e causas externas, como violência". Para o fundador do Ieps, as soluções estão na melhor gestão dos gastos, investimento em tecnologia, aumento do atendimento prioritário e promoção da saúde.

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