Brasil é campeão no uso de anfetaminas, revela ONU

A Junta Internacional Fiscalizadora de Entorpecentes (Jife), escritório das Nações Unidas responsável pelo controle mundial antidrogas, divulgou ontem, em Viena, uma notícia alarmante: o Brasil é campeão mundial no consumo per capita de remédios para emagrecer (a maioria à base de anfetaminas). O relatório aponta que o consumo de remédios para emagrecer no País foi de 9,1 doses diárias por mil habitantes entre 2002 e 2004. O número representa mais de 20% de crescimento em relação ao período de 1992 a 1994. No ano passado, a ONU constatou que o uso de remédios com anfetaminas havia sido superior a 500% de 2000 a 2005. De acordo com o documento deste ano, o consumo da substância, que compõe a maioria dos redutores de apetite, teve um 'aumento considerável' nos últimos anos também em outros países, como os Estados Unidos (7,7 doses diárias por mil habitantes), Argentina (6,7 doses diárias por mil habitantes) e Coréia do Sul e Cingapura (ambos com 6,4 doses diárias por mil habitantes). O Chile e a Argentina são apontados no relatório como exemplos de países que adotaram medidas efetivas de controle sobre a venda e o uso inapropriado de estimulantes para redução do apetite. A Argentina reduziu o consumo de 11 doses diárias por mil habitantes, no período entre 1992 e 1994, para 5 doses diárias, entre 2002 e 2004. No Chile, o consumo despencou de 12,5 para menos de uma dose diária por mil habitantes no mesmo período. A anfetamina age na região do cérebro responsável pelo apetite. 'O uso contínuo de anfetaminas pode levar à dependência e a vários efeitos colaterais gravíssimos. Além de dependência, pressão alta, alterações cardíacas, irritação, confusão de pensamentos e até esquizofrenia', alerta o psiquiatra Guido Palomba, diretor da Academia de Medicina de São Paulo. As anfetaminas também são receitadas em casos de déficit de atenção em crianças e de narcolepsia (sono exagerado). Eles também podem ser necessários para alguns pacientes com problemas de obesidade. No Brasil, qualquer remédio à base de anfetamina só pode ser vendido com receita médica. No início de janeiro, o jornal Miami Herald publicou testes feitos em laboratório indicando que algumas marcas de comprimidos para emagrecer fabricados com ervas brasileiras continham anfetaminas. Conhecidas como 'brazilian diet pills', as pílulas eram vendidas como produtos naturais. Nos Estados Unidos, essas pílulas se enquadram na categoria de suplementos dietéticos e, portanto, não precisariam do aval da Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula medicamentos. Semanas depois, o FDA proibiu a venda dos remédios. Em 17 de janeiro, o Ministério Público de Minas Gerais encontrou documentos que podem comprovar a comercialização de uma dessas 'brazilian diet pills', a Emagrece Sim, no Brasil.

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