Wilton Junior/Estadão
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Brasil está ‘no começo’ e pode adotar medidas mais drásticas contra coronavírus, diz Mandetta

Ministro afirmou que País ainda está na fase inicial da propagação do vírus, mas que 'pode chegar uma hora em que será recomendável parar atividades'

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 12h31

RIO - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou na manhã desta quinta-feira, 12, que o Brasil pode adotar medidas mais drásticas contra a proliferação do novo coronavírus. O País, disse o ministro, ainda está na fase inicial da propagação do vírus. As pessoas cujos testes deram positivo têm sido aquelas que voltaram de viagens internacionais - foram, portanto, contaminadas no exterior.  

"Mais cedo ou mais tarde teremos a entrada do vírus e a sustentação (da epidemia)”, apontou. “Pode chegar uma hora, na semana que vem, em 15 dias, em quatro semanas, em que será recomendável parar (atividades). Para conter a espiral de casos pode chegar uma hora em que teremos que segurar (transporte, fábricas, escolas).”

Mandetta também garantiu que vai adiantar o Orçamento caso não haja liberação de novos recursos para a contenção do vírus. O governo estuda editar uma Medida Provisória para liberar verbas extra por causa da pandemia, mas o ministro acha que não será necessário. “Acho que não vai ser MP, não. O diálogo com o Congresso foi bom, todos estão bem a par da situação. Mas se não tiver recursos, eu antecipo. O que gastaria em novembro, gasto agora.”

No Orçamento deste ano, disse, há uma novidade: um dinheiro de custeio que está sendo usado para pagar plantões e equipamentos, por exemplo. “São R$ 5,1 bilhões. Mas só pode ser liberado pelo relator do ano anterior, que é o deputado Domingos Neto. Ele tem que autorizar. Estou pedindo há 15 dias. Ontem pedi de novo.”

O ministro está no Rio, onde tem uma série de compromissos ao longo do dia. “O Rio de Janeiro deve se preparar, sabemos das fragilidades do Rio”, comentou. 

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Ao abordar aspectos mais políticos da crise, Mandetta disse que desde o começo pedia que o coronavírus fosse classificado como uma pandemia. Ele garantiu ainda que constituiu em Brasília um núcleo de especialistas no vírus. “Vamos lutar com a força que temos, fazer o que se espera”, afirmou Mandetta. “Fechar fronteiras do Brasil não seria o ideal.”

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro já ter minimizado a crise mundial, o ministro disse que o tem mantido informado sobre os desdobramentos do caso. "O presidente está sendo cuidado por milhões de pessoas que o adoram.” 

Bolsonaro está sendo monitorado após voltar de viagem feita aos Estados Unidos. O secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, testou positivo para o vírus. Ele estava na comitiva presidencial. 

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