Brasil fará simulação de gripe aviária

O governo brasileiro fará nesta semana a primeira simulação no País de um surto de gripe aviária entre seres humanos. O Ministério da Saúde coordenará o exercício, o primeiro de uma série de testes que o governo fará a fim de preparar o País para uma eventual pandemia. "O Brasil não está na rota de migração de aves da Ásia, mas temos de nos preparar", afirma Jarbas Vasconcelos, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Pela simulação, duas pessoas com sintomas da gripe aviária chegam ao País vindas da Ásia - uma pelo aeroporto internacional de São Paulo e outra por Brasília. Não haverá, neste primeiro teste, deslocamento dos casos suspeitos para hospitais. O objetivo é apenas testar como funcionará a comunicação entre os diferentes órgãos do governo, como a informação será tratada e com qual velocidade os técnicos darão uma resposta sobre o que fazer. Será avaliada, em especial, a colaboração entre as secretarias de Saúde de São Paulo, do Distrito Federal e o Ministério da Saúde. Segundo Vasconcelos, não haverá gastos com a simulação, cujo dia exato ainda está sendo definido. Um representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) estará no País para acompanhar o teste. Na Europa, simulações conjuntas no final do ano passado envolveram vários governos. Reação dos hospitais Já está certo que outras mobilizações serão realizadas. A próxima envolverá um caso suspeito que chega a um hospital com sinais da doença. "Queremos ver como os hospitais vão reagir, como se comunicarão com as autoridades e como os pacientes serão tratados", explica Vasconcelos. Em uma etapa adiante, será avaliado como o País reage a uma eventual contaminação de algumas pessoas simultaneamente. Por enquanto não haverá simulações com aves, porque o Ministério da Agricultura ainda precisa do aval de organizações internacionais. Isso porque entidades como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) receiam que surtos acabem sendo camuflados como simulações, na tentativa de produtores evitarem pesadas perdas com o sacrifício em massa de suas criações. A OMS e a ONU também estão interessadas numa avaliação da segurança das exportações de frango do Brasil. David Nabarro, representante da ONU para o monitoramento da epidemia, afirmou ao Estado que iniciará contatos com avícolas do País que fornecem ao mercado internacional. "O Brasil é grande exportador e precisamos acompanhar o que está sendo feito." Tamiflu no orçamento A Roche já começou sua entrega de Tamiflu ao Brasil. A empresa suíça havia indicado que disponibilizaria 9 milhões de tratamentos até 2007, mas antecipou as entregas e informou que todo a encomenda poderá estar nas mãos do Ministério da Saúde em 2006. Mas agora é o governo que não quer que toda a entrega ocorra neste ano. O plano do Ministério da Saúde é deixar cerca de 10% da compra, avaliada em R$ 180 milhões, para 2007. Isso permitiria que os recursos para pagar a empresa farmacêutica fossem incluídos no orçamento de 2007, desafogando o de 2006. Foi confirmada ontem a presença do vírus H5N1 em frangos em Incirli, vilarejo no enclave turco no norte da ilha de Chipre. Criações em um raio de 10 quilômetros de Incirlik estão sendo abatidas. Na Arábia Saudita, o vírus foi detectado em cinco falcões de caça; 37 foram sacrificados.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2006 | 09h35

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