Brasil gasta pouco contra tuberculose, diz OMS

Só um terço dos brasileiros com tuberculose é tratado como se deve e o Ministério da Saúde destina apenas 0,3% de seu Orçamento para o controle da doença. O porcentual é inferior aos registrados na China, Índia, África do Sul, Uganda, Indonésia ou Rússia. Em 2005, US$ 46 milhões foram direcionados a essa finalidade pelo governo brasileiro. A informação do baixo investimento foi publicada ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados de 2003 apontam que só 34% dos pacientes no Brasil estão sendo tratados de acordo com o manual de recomendações da entidade, conhecido como DOTS, que prega o monitoramento diário dos pacientes. Na África do Sul, 99,5% dos pacientes seguem as prescrições sugeridas pela OMS e o governo gasta 7% do orçamento da Saúde para controlar a doença. Na China, são 91% dos pacientes. Na Índia, 67%. Os dados são contestados pelo coordenador do Programa Nacional de Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde, Joseney Santos. "Não sei que fonte foi usada. Recebemos até elogios num relatório recente da OMS", afirmou. Ele garante que mais de 60% dos pacientes diagnosticados recebem o tratamento recomendado pela OMS. A taxa de cura da doença, ainda segundo o coordenador, passou de 72% dos pacientes para 81%. Ele argumenta, ainda, que a taxa de abandono do tratamento sofreu uma redução nos últimos anos: passou de 12% para 7%. "Claro que temos o que melhorar. Mas o tratamento é gratuito, e em cidades onde o problema é mais grave, o DOTS, que inclui a presença de um agente no momento da ingestão do remédio, é de 70%." O Brasil foi duramente criticado pela OMS em 2003. Na época, a entidade avaliou que o País não conseguia oferecer tratamento adequado a grande parte da população, apesar de o coquetel de remédios custar US$ 10 por paciente. O País ocupa a 15ª posição entre os 22 países com o maior número de novos casos por ano: 110 mil. Em termos absolutos, é bem menos que os 1,7 milhão na Índia ou os 1,3 milhão na China. Mas é superior ao total de novos pacientes que surgem por ano em Uganda e no Afeganistão, por exemplo. Para Mark Perking, chefe de pesquisa da Fundação para Diagnósticos Inovadores, entidade ligada à Fundação Bill Gates, o Brasil 'não apresenta dados animadores'. Com 8,8 milhões de novos casos no mundo por ano e 2 milhões de mortes, a OMS estima que a comunidade internacional gasta US$ 1 bilhão por ano com diagnóstico da doença.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2006 | 10h13

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