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Brasil incorpora nova droga no tratamento de pacientes com HIV

Medicamento será inicialmente ofertado para pessoas que estão iniciando a terapia contra o vírus e para aquelas que já apresentam resistência a outros remédios

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2016 | 12h59
Atualizado 28 Setembro 2016 | 20h42

BRASÍLIA - O Brasil incorporou o medicamento Dolutegravir para o tratamento de HIV/aids. A droga inicialmente será ofertada para pacientes que estão começando o tratamento contra o vírus e para aqueles que já apresentam resistência a outros antirretrovirais.

Produzido pela GSK, o Dolutegravir é um inibidor de integrase. De acordo com o ministério, o remédio traz menos efeitos adversos que a terapia usual e facilita a adesão ao tratamento, que é feito apenas com um comprimido diário.

O Dolutegravir passará a ser usado em associação com Tenofovir e Lamivudina. Atualmente, essas duas drogas são usadas em associação com Efavirenz. De acordo com ministério, o Efavirenz para alguns pacientes pode provocar alterações neuropsicológicas, sobretudo nas primeiras semanas de uso.

O remédio da GSK passará a ser distribuído em janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde, o prazo é necessário para que a empresa possa adaptar a produção e atender à demanda do País. A expectativa é de que 100 mil pacientes passem a usar o novo esquema de tratamento.

O Brasil registra 798.366 casos notificados de aids. A média brasileira é de 40,6 mil novos casos da infecção por ano. A taxa de mortalidade pela doença é de 5,7 para cada 100 mil habitantes. O dado, de 2014, é 10,9% menor do que o registrado em 2003, quando a taxa de mortalidade era de 6,4 por 100 mil habitantes. Atualmente, 483 mil pessoas fazem tratamento.

“Estamos ofertando o melhor tratamento com menor custo”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao anunciar a integração da nova droga para HIV. De acordo com o ministro, o preço é o menor registrado no mundo. 

Imagem. O desconto obtido nas negociações, informou ele, foi de 70%. Cada comprimido vai custar US$ 1,5. Serão 40 milhões de unidades adquiridas. “Nossa tarefa é ousar”, disse Barros, em um discurso que reforçou a sua estratégia de imprimir sua imagem à ideia de eficiência. “Fazer mais por menos”, completou. “Nossa linha de atuação é gestão com qualidade.” 

A mensagem é uma tentativa de amortizar as críticas de que, com eventual aprovação da PEC que limita os gastos públicos, o orçamento destinado à Saúde será menor do que o necessário. O PLOA 2017 enviado ao Congresso prevê para a pasta um valor inferior à variação da inflação deste ano.

O Dolutegravir já é usado em países da Europa, como Portugal e Espanha. A diretora do Unaids, Georgiana Braga-Orillard, afirmou que as negociações no País podem induzir preços mais baixos também em outras regiões. “A negociação de preços do Brasil deve favorecer outros países”, festejou.

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