Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Brasil passa de mil mortes por covid-19 em 24 h pela 1ª vez desde agosto

Número de vítimas do vírus nesta sexta foi de 1.074, com média diária de 732; após explosão de casos da Ômicron, País tem alta de internações e óbitos

Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

04 de fevereiro de 2022 | 20h01

O Brasil registrou 1.074 novas mortes pela covid-19 nesta sexta-feira, 4.  Desde 19 de agosto do ano passado, o País não registrava mais de mil mortes causadas pela doença em 24 horas. A média diária de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 732. Após causar explosão de casos, a variante Ômicron, mais contagiosa, tem aumentado a quantidade de internados e mortos pelo País. Médicos recomendam reforçar os cuidados, como uso de máscara e evitar aglomerações. 

Já o número de novas infecções notificadas nesta sexta-feira foi de 219.298. A média móvel de casos ficou em 182.696. Na segunda-feira, essa média de registros havia chegado a 188.451, a maior em toda a pandemia. Desde o início do ano, a Ômicron tem sobrecarregado as emergências de saúde pelo País, que ainda foram prejudicadas pelo afastamento de grande número de profissionais infectados. 

Em números proporcionais, a letalidade da covid-19 diminuiu - ou seja, hoje há mais pessoas se contaminando do que no ano passado e menos morrendo. Entretanto, infectologistas alertam para o fato de o número de casos ser muito grande e, portanto, a proporção de mortes poder gerar quantidade absoluta de vítimas alta, embora 70,2% da população esteja vacinada com duas doses.

Segundo a Fiocruz, nove dos 27 Estados brasileiros estão com ocupação de leitos de UTI superior a 80% por causa do número de internados com covid-19. São eles: Piauí (87%), Rio Grande do Norte (86%), Pernambuco (88%), Espírito Santo (83%), Mato Grosso do Sul (103%), Goiás (91%), Distrito Federal (97%), Amazonas (80%) e Mato Grosso (91%).

Outros nove Estados estão com o nível de ocupação de leitos considerado intermediário pela Fiocruz (entre 60% e 79% de ocupação). O restante está abaixo desta faixa. Hospitais privados também registram aumento da demanda por leitos de enfermaria e também de UTI. 

Os casos mais críticos se concentram, principalmente, entre não vacinados e grupos mais vulneráveis, como idosos. No começo de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro chegou a minimizar a variante: disse que a Ômicron era bem-vinda e poderia sinalizar a proximidade do fim da pandemia. 

No total, o Brasil tem 631.069 mortos e 26.319.033 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h.  Os Estados que mais registraram mortes nas últimas 24 horas foram São Paulo (370), Rio de Janeiro (99) e Minas(80).

Os pesquisadores do Observatório da Fiocruz chamam a atenção para o crescimento das taxas de ocupação de maneira significativa nos Estados. Algumas capitais, porém, apresentam mais estabilidade ou mesmo queda. Para os pesquisadores, isso parece indicar a interiorização da variante Ômicron. 

“Insistimos que é fundamental empreender esforços para avançar na vacinação, incluindo-se a exigência do passaporte vacinal”, diz o documento do Observatório Covid-19 Fiocruz. “É também fundamental controlar a disseminação da covid-19, com maior rigor na obrigatoriedade de uso de máscaras em locais públicos, e campanhas para orientar a população sobre o autoisolamento ao apresentarem sintomas, evitando a transmissão intradomiciliar entre outras.”

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho de 2020, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

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