Brasil perde espaço na fabricação de remédios

Acusado pelas empresas farmacêuticas de não ter uma política de proteção de patentes e de não oferecer um ambiente adequado para investimentos, o Brasil não consegue superar uma posição apenas secundária na fabricação de remédios pelas multinacionais no mundo. A Roche começará a produzir e exportar do Rio de Janeiro dois remédios para a Europa. Mas a decisão, aparentemente positiva para o País, revela outra realidade: os remédios têm mais de 30 anos e a transferência da produção serve apenas para abrir espaço nas fábricas européias que vão ser usadas para produzir remédios de maior valor agregado e de alta tecnologia. O presidente da Roche, Franz Humer, alerta que está "complicado" trabalhar com o governo brasileiro, e descarta por enquanto novos investimentos no País. Bactrin A partir deste ano, a fábrica da Roche no Brasil fabricará o Bactrin, um antiinflamatório, e o anticoagulante Marcoumar. As exportações dos dois produtos poderão gerar ao final do primeiro ano cerca de US$ 20 milhões. O presidente da Roche para a América Latina, Ernst Egli, acredita que a transferência da produção para o Brasil reduzirá em 15% os custos de fabricação. Mas reconhece que um dos argumentos para a transferência da produção é o fato de as plantas na Basiléia estarem sendo substituídas por instalações de biotecnologia, com produtos de maior valor. "Os remédios que vamos produzir têm mais tempo no mercado", disse Egli. O Bactrin, por exemplo, foi lançado em 1970 no Brasil, enquanto o Marcoumar existe desde 1955. Ambos já perderam a patente há anos. "O Brasil não protege a propriedade intelectual. Nós fazemos os investimentos necessários, mas se o ambiente não é favorável, obviamente as empresas ficam mais relutantes", disse Humer. Hoje, a fábrica da Roche no Rio está subutilizada: apenas 50% da capacidade é usada. Resultado Apesar das queixas, a Roche conseguiu aumento de 11% em suas vendas no Brasil em 2005, atingindo pouco mais de R$ 1 bilhão. Calculado em francos suíços, o aumento foi de 32% diante da valorização do real. No geral, as vendas da empresa em todo o mundo cresceram 19% em 2005, puxadas pelos produtos de oncologia e pelo Tamiflu. A empresa faturou no ano passado US$ 27,4 bilhões, um crescimento de 20% sobre 2004, e teve lucro líquido de US$ 5,2 bilhões, uma queda de 5%.

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