Brasil produzirá orelhas a partir de células-tronco

Uma iniciativa inédita no País buscará produzir orelhas a partir de células-tronco adultas para implantes em humanos. O projeto é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), em Bauru. É dividido em três fases - experimental, pré-clínica e clínica -, de dois anos cada uma. A fase experimental, que já começou, vai realizar testes em ratos no laboratório de engenharia tecidual do Centro Interdisciplinar de Terapia Gênica (Citergen) da Unifesp, por meio de estudos coordenados pelos pesquisadores Sílvio Duailibi e Mônica Talarico Duailibi. A dupla recebeu subsídios de Joseph P. Vacanti, professor de cirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade Harvard e pai da idéia de cultivar tecidos vivos ao redor de uma estrutura biodegradável. A segunda fase do projeto prevê o implante de células humanas em animais e a última, a criação de um órgão criado com células-tronco humanas para implante em humanos, quando devem ser tentados os primeiros implantes. Molde Biodegradável - As células-tronco deverão ser aplicadas numa prótese tridimensional em forma de orelha. O molde é feito de material biocompatível, como polímeros biodegradáveis, que serão consumidos pelo organismo, sem rejeição, depois que as células-tronco se transformarem numa nova orelha. A única dúvida é se as células serão cultivadas no molde em laboratório ou só depois de a estrutura ser implantada no paciente. A expectativa inicial é de que, ao final dos seis anos, o HRAC e a Unifesp produzam o órgão para ser implantado em pacientes com problemas de má-formação ou que precisem substituir próteses. Só no HRAC há mais de 200 crianças que não têm o órgão. "Pode ser que demore um pouco mais de seis anos", admite Sílvio Duailibi. "Depende do nível de investimento do governo em pesquisas de biotecnologia."

Agencia Estado,

07 de julho de 2006 | 12h20

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