Brasil quer diminuir número de animais utilizados em pesquisas científicas

País criou o primeiro centro da América do Sul para o desenvolvimento de métodos alternativos para validação de pesquisas

Agência Brasil

14 de setembro de 2011 | 08h58

RIO - O Brasil terá o primeiro centro da América do Sul preparado para desenvolver métodos alternativos para validação de pesquisas que não usam animais em fase de teste. A unidade foi criada a partir de um acordo de cooperação assinado na terça-feira, 13, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

A proposta, segundo a vice-diretora de Pesquisa e Ensino do INCQS, Isabela Delgado, é que, com a nova unidade, que se chamará Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam), seja possível substituir totalmente, ou reduzir, o número de animais utilizados em testes sobre a qualidade de vacinas, por exemplo.

 

"Existe, no Brasil, o processo de desenvolvimento de tecnologias, os grupos que estudam alternativas e a aceitação regulatória desses métodos. O centro vem preencher essa lacuna. De maneira organizada, vamos trabalhar os dados e organizar grupos de pesquisas para que novas metodologias sejam fomentadas e passem a ser métodos oficiais", explicou a pesquisadora.

 

Pelo documento, fica garantida apenas a criação do Bracvam, mas não há qualquer previsão de orçamento inicial, o que impede uma estimativa sobre os primeiros resultados das pesquisas. Ainda assim, Isabela Delgado disse que alguns órgãos já sinalizaram apoio ao funcionamento do centro, com recursos financeiros, entre eles o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

 

Cerca de R$ 700 mil que devem ser investidos pelo órgão de fomento à pesquisa e podem garantir o início dos trabalhos do Bracvam, que será a validação de metodologias que já foram reconhecidas em países da Europa e pelos Estados Unidos.

 

"O processo de validação é caro e demorado. Vamos incorporar essas metodologias por meio de um processo que a gente chama de validação por captura. Vamos avaliar o que já foi validado lá fora e incorporar. Existem situações em que temos as particularidades brasileiras, como controle de qualidade de produtos biológicos, tais como o soro antiofídico. São espécies de serpentes que só existem no Brasil. A gente vai precisar desenvolver metodologias e validar essas metodologias no contexto nacional, que também é uma atribuição do centro, mas a médio prazo", explicou Isabela Delgado.

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