Miguel MEDINA / AFP
Miguel MEDINA / AFP

Brasil recebeu ao menos 5,3 mil voos de países em lista de alerta por coronavírus em 2019

Itália, França, Alemanha e Emirados Árabes entraram no rol do Ministério da Saúde nesta segunda; pacientes vindos desses locais que apresentaram sintomas serão classificados como suspeitos

Amanda Pupo, Camila Turtelli, Julia Lindner e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 22h19

BRASÍLIA - O Brasil recebeu pelo menos 5,3 mil voos, no ano passado, dos países incluídos hoje na lista de alerta do Ministério da Saúde por risco de coronavírus. O número de passageiros que vieram da Itália, França Alemanha e Emirados Árabes soma 1,3 milhão de pessoas, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

Além destes, outros quatro países - Austrália, Filipinas, Malásia, Irã - entraram no rol de origens monitoradas, mas não há voos diretos ao Brasil, segundo os registros da Anac.  Com esta medida, serão considerados suspeitos da doença pessoas que estiveram nestes locais nos últimos 14 dias (tempo de incubação do vírus) e que apresentam sintomas da doença, como febre forte e tosse. 

O novo enquadramento é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países. Da lista de países sob alerta, a França foi a origem da maior parte dos passageiros (490,9 mil), seguido pela Alemanha (356,4 mil), Itália (354,6 mil) e Emirados Árabes (193 mil).  

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas destes países não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita de novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá protocolo específico em que, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito. Uma análise clínica poderá ser feita no desembarque pela autoridade sanitária e, caso a suspeita se mantiver, o passageiro será levado a um hospital. 

Com escalada de casos, Itália é maior preocupação

Na Europa, a maior preocupação é com a Itália, que já registrou mais de 200 casos e sete mortes desde o último fim de semana. O surto se concentra principalmente no norte do país europeu, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena.

Segundo a Anac, em média, o Brasil recebe quatro voos diários vindos de cidades italianas. São três saindo de Roma e um de Milão, uma das cidades com registro de coronavírus. Da França são cinco, da Alemanha, três, e do Emirados Árabes, dois.

Ao Estadão/Broadcast nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou não haver qualquer restrição de viagens para estes destinos. Há recomendação do governo para que não sejam feitas viagens apenas para a China, onde mais de 2,5 mil pessoas morreram nos últimos dias após serem contaminadas.

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