Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Brasil registra 1.295 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, pior marca desde 29 de julho

Número de vítimas do vírus nesta quarta foi de 1.295, com média diária em 873. Mortes voltam a um patamar alto e país soma 635.189 vítimas em dois anos de pandemia

Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

09 de fevereiro de 2022 | 20h00

O Brasil registrou 1.295 novas mortes pela covid-19 nesta quarta-feira, 9, a pior marca desde o dia 29 de julho, quando o País teve 1.354 óbitos. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 873, sendo o maior registro na média desde 12 de agosto do ano passado. Os números mostram a piora da pandemia com a chegada da variante Ômicron do coronavírus, que causou uma explosão de casos.

No início de janeiro, o Brasil estava com a média móvel de mortes abaixo de 100. Agora, ela volta para um patamar superior a 800, o que não ocorria há 5 meses. Os números absolutos de mortos em 24 horas também voltam a superar mil mortes pelo segundo dia consecutivo e pela terceira vez em uma semana. Na sexta-feira, dia 4, o Brasil registrou 1.074 mortes.

Nesta quarta, o número de novas infecções notificadas foi de 184.734. No total, o Brasil tem 635.189 mortos e 26.960.153 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 23.101.660 pessoas estão recuperadas.

Desde a chegada da variante Ômicron no Brasil, o número de contaminações bateu recorde no início deste ano com números superiores aos dos piores momentos da pandemia no País. E depois dessa quantidade enorme de infectados, mesmo com muitas pessoas tendo dificuldade para se testar, o número de internações e mortes voltou a subir e a gerar números absolutos altos.

"Se você tem mil pessoas morrendo por dia, não importa se isso é 1%, 10% ou 100% dos infectados. O que importa é que são mil vidas perdidas. A mortalidade é mais importante que a letalidade", considerou o professor da Unesp, Carlos Magno Fortaleza.

"A Ômicron causa quadros mais brandos, principalmente em quem está vacinado, e o Brasil tem uma cobertura vacinal razoável. Então era esperado que a o número de óbitos aumentasse também após uma alta nas contaminações, mas acredito que possa começar a cair nas próximas semanas", avaliou o médico sanitarista André Ricardo Ribas Freitas, professor de epidemiologia da Universidade São Leopoldo Mandic e doutor pela Unicamp.

Ele reforça que o carnaval é um motivo de preocupação, por causa do contato mais próximo entre as pessoas. "Temos de cuidar, a doença não está totalmente controlada, mas é diferente daquele surto que ocorreu com a Gama, que é mais letal, e as pessoas não estavam vacinadas na época, só uma parte dos idosos. A gente sabe que o risco para as pessoas não vacinadas é maior, para qualquer linhagem. E, no caso da Ômicron, a terceira dose ajuda a proteger mais", diz.

O Estado de São Paulo foi o que mais registrou mortes nesta quarta-feira, com 482 óbitos. Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem em seguida, com 125 mortes cada um. O restante dos Estados registraram mortes inferiores a uma centena e Roraima foi o único a não atualizar os dados.

Ao todo, as mortes causadas pela covid-19 no Brasil por habitantes são quatro vezes maiores que a média mundial, segundo a Fiocruz. O País concentra 11% do total de mortes da pandemia no mundo e teve 2.932 mortes para cada 100 mil habitantes. Essa proporção, no mundo, foi de 720 para cada 100 mil habitantes.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho de 2020, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

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