Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Brasil registra 431 mortes por covid-19 em 24 horas; média móvel de óbitos é de 765

Média móvel de óbitos teve uma pequena redução (767 para 765) nas últimas 24 horas e interrompe sequência de 26 dias de alta. Avanço da Ômicron causou explosão de infectados e agora faz crescer quantidade de óbitos

Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

07 de fevereiro de 2022 | 20h00

O Brasil registrou 431 novas mortes pela covid-19 nesta segunda-feira, 7. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 765. É a primeira vez desde o dia 11 de janeiro que a média cai, depois de chegar a 767 neste domingo. Após causar uma explosão de infectados, a variante Ômicron do coronavírus é responsável agora por fazer subir a quantidade de internados e vítimas. 

A última vez que havia sido registrada uma queda na média móvel de óbitos foi no dia 11 de janeiro, quando passou de 128 para 122. Desde então, ela cresceu mais de 500%.

Já o número de novas infecções notificadas nesta segunda-feira foi de 68.540. A média móvel de casos caiu nas últimas 24 horas e é de 164.433.

Após causar explosão de casos, a variante Ômicron, mais contagiosa, tem aumentado a quantidade de internados e mortos pelo País. Médicos recomendam reforçar os cuidados, como uso de máscara e evitar aglomerações. Na sexta-feira, o País voltou a registrar mais de mil mortos em 24 horas, depois de cinco meses com a marca de óbitos inferior a esse número.

No total, o Brasil tem 632.720 mortos e 26.605.137 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h.


Os Estados que mais registraram mortes nas últimas 24 horas foram Bahia (49), Ceará (40) e Espírito Santo (36). Roraima foi o único Estado a não registrar nenhuma morte nesta segunda-feira.

A explosão de casos é vista como efeito da Ômicron, apontada desde que foi detectada, em novembro, como mais transmissível. Especialistas afirmam que esse fator se alia ao relaxamento das medidas de distanciamento social em todo o País. 

Mesmo com 70% da população brasileira imunizada com duas doses ou a vacina de aplicação única, o contágio alto da cepa aumentou as internações. Gestores de saúde afirmam que a maioria dos quadros graves são de idosos, pessoas com comorbidades e não vacinados ou vacinados parcialmente, com uma dose.

Por conta disso, especialistas reforçam a necessidade das medidas de prevenção como o uso de máscara e o distanciamento social para reduzir a transmissão da doença e a importância do ciclo vacinal completo e da dose de reforço, para evitar casos graves da doença e diminuir a chance de hospitalização e morte.

Os especialistas também alertam para a falsa sensação da covid-19 ter virado uma “gripe comum”. Em Botucatu, por exemplo, as internações voltaram a aumentar entre idosos acima de 60 anos que estão imunizados com as três doses da vacina.

Segundo o professor da Unesp e membro do comitê que assessora a prefeitura, o infectologista Alexandre Naime Barbosa, o aumento se dá por duas razões: queda natural da carga de imunização dos idosos, que acontece para todas as vacinas devido a um fenômeno chamado imunossenescência (envelhecimento imunológico); e o alto contágio da Ômicron. Para tentar conter as internações, o município decidiu aplicar uma 4ª dose da vacina. “O principal objetivo da 4ª dose é aplicar uma carga de imunização e evitar casos graves e internações”, disse.

Em números proporcionais, a letalidade da covid-19 diminuiu - ou seja, hoje há mais pessoas se infectando do que no ano passado e menos morrendo. Entretanto, infectologistas alertam para o fato de o número de casos ser muito grande e, portanto, a proporção de mortes poder gerar uma quantidade absoluta de vítimas alta.

Segundo a Fiocruz, nove dos 27 Estados brasileiros estão com ocupação de leitos de UTI superior a 80% por causa do número de internados com covid-19. São eles: Piauí (87%), Rio Grande do Norte (86%), Pernambuco (88%), Espírito Santo (83%), Mato Grosso do Sul (103%), Goiás (91%), Distrito Federal (97%), Amazonas (80%) e Mato Grosso (91%).

Outros nove Estados estão com o nível de ocupação de leitos considerado intermediário pela Fiocruz (entre 60% e 79% de ocupação). O restante está abaixo desta faixa.

Os pesquisadores do Observatório da Fiocruz chamam a atenção para o crescimento das taxas de ocupação de maneira significativa nos Estados. Algumas capitais, porém, apresentam mais estabilidade ou mesmo queda. Para os pesquisadores, isso parece indicar a interiorização da variante Ômicron. 

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho de 2020, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

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