Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Brasil registra 88,4 mil casos de covid-19 em 24 horas e vê média móvel crescer 325% em uma semana

Média móvel de novos casos passou de 12.391 no dia 4 para 52.714 casos nesta quarta-feira, 12. Média de mortes cresceu 33%

Luiz Henrique Gomes, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 20h42

O Brasil registrou 88,4 mil casos da covid-19 nas últimas 24 horas e teve um aumento de 325% na média móvel de novos casos em uma semana. Segundo os dados do Consórcio de Veículos de Imprensa divulgados nesta quarta-feira, 12, a média móvel de casos atual, que elimina as distorções entre dias úteis e fim de semana, é de 52.714 casos por dia. Na quarta-feira passada, dia 4 de janeiro, a média era de 12.391.

Em relação às mortes causadas pela covid-19, o registro foi de 138 nas últimas 24 horas. Neste caso, a média móvel aumentou no período, passando de 96 para 123, um aumento de 33%. Sete Estados não registraram mortes nesta quarta-feira.

O aumento dos casos é observado em todo o País nestas primeiras semanas de 2022. Apesar do baixo sequenciamento genético dos casos positivos, especialistas ligam o aumento principalmente à transmissão comunitária da variante Ômicron, às aglomerações de fim de ano e ao relaxamento de medidas de prevenção.

O represamento de dados por instabilidade do Ministério da Saúde também explica a explosão de casos em alguns dias. Nesta quarta-feira, por exemplo, Minas Gerais registrou 18 mil novos infectados. Além da variante Ômicron e às aglomerações de fim de ano, a secretaria estadual de saúde também atribuiu o aumento às notificações não-registradas em dias anteriores por instabilidade.

O crescimento da média móvel na última semana, no entanto, indica que o aumento de casos notificados não é uma exceção gerada por represamento. Essa média é calculada somando o número de casos de cada um dos sete dias anteriores e dividindo esse resultado por 7. Com uma amostra sequencial de notificações, os especialistas afirmam que ela dá um retrato do comportamento da pandemia, eliminando as distorções.

Por conta do crescimento perceptível de casos da covid-19 nos últimos dias, ao menos 9 Estados brasileiros anunciaram novas medidas restritivas para tentar conter aglomerações. Nesta quarta-feira, 12, foi a vez de São Paulo. O governo recomendou que as cidades reduzam em 30% a capacidade total de público para os eventos.

O Estado tem registrado um aumento no número de pessoas internadas em UTIs. Nas últimas duas semanas, esse aumento passou de 1.096 para 1.727, alta de 58%. O aumento nas pessoas admitidas em enfermarias foi ainda mais intenso, passando de 1.712 para 3.413 no período, 99% a mais. 

Nesta quarta-feira, 12, a taxa de ocupação nos leitos de UTI do Estado é de 39,01%, enquanto a lotação da Grande São Paulo está um pouco acima, em 46,35%. Segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, as novas internações têm "acontecido fundamental nas enfermarias".

“Precisamos observar que a condição clínica dos internados agora é muito menos grave e o tempo de internação muito mais curto em relação ao que víamos antes da vacinação”, disse Gorinchteyn. 

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho de 2020, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

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