Alex Silva/Estadão
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Brasil registra primeira morte pelo novo coronavírus em SP; País tem 290 casos confirmados

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Segundo último balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo tem 162 casos confirmados da doença; vítima tinha 62 anos

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 11h17
Atualizado 21 de março de 2020 | 20h30

SÃO PAULO - A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou nesta terça-feira, 17, a primeira morte pelo novo coronavírus no País - de um homem de 62 anos, que tinha diabete e hipertensão e sem histórico de viagem ao exterior. Ele morreu na segunda-feira em um hospital privado da capital paulista. O governo informou que o paciente não constava na lista oficial de casos confirmados e, segundo o secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, nem sequer no balanço de registros suspeitos.

O paciente começou a apresentar os sintomas no dia 10 e procurou o Hospital Sancta Maggiore, no Paraíso, zona sul, no dia 14. De acordo com Pedro Benedito Batista Junior, diretor executivo da Prevent Senior, operadora que administra a rede de hospitais, o paciente chegou à unidade com dificuldade para respirar e febre. “Como ele era diabético e hipertenso, já foi internado”, relatou.

Batista Junior disse que o resultado do teste só saiu nesta terça porque os laboratórios que realizam o exame estão pedindo prazos cada vez maiores para a análise. “Por causa da alta demanda, estão demorando até sete dias”, declarou.

O secretário Edson Aparecido afirma que o hospital só informou as autoridades sobre o caso depois do óbito, o que contraria uma recomendação do Ministério da Saúde de notificar esses registros em até 24 horas. “Não comunicaram nem a secretaria nem o Ministério da Saúde. Somente hoje (terça-feira) de manhã, uma pessoa da Prevent Senior ligou para o David Uip (coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de SP) comunicando o fato e aí nós pedimos a documentação”, afirmou Aparecido.

A falha na comunicação fez com que os contatos próximos do paciente não fossem monitorados. Ao jornal O Globo, um irmão da vítima disse que parentes já apresentaram sintomas, procuraram uma unidade de saúde e não conseguiram fazer o teste de diagnóstico.

Segundo Batista Junior, a notificação do caso não foi feita às autoridades porque, embora o paciente tivesse sintomas compatíveis com um quadro de coronavírus, ele não tinha histórico de viagem nem de contato com um caso suspeito ou confirmado da doença.

O governo do Estado e a operadora Prevent Senior informaram que outros quatro óbitos ocorridos nos hospitais da rede entre segunda e terça estão sendo investigados como possíveis casos de coronavírus.

Testes

O Estado admitiu estudar modos de ampliar os centros de diagnóstico para mapear melhor o avanço da doença. Sem exames em massa, medida recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e usada com sucesso por países como a Coreia do Sul, o governo de São Paulo não tem o número exato de pacientes em estado grave (com risco de morte) que estão internados no Estado neste momento.

Há 164 casos confirmados em SP - no Brasil, o total é de 291, em 16 Estados e no Distrito Federal. Destes, 28 estão hospitalizados. O total de suspeitas investigadas é de 8.819. 

Até segunda-feira, Uip dizia que a massificação de testes era “ideal”, mas não “real”. Nesta terça-feira, ele disse que seu grupo de trabalho fará a recomendação ao governador João Doria (PSDB) para ampliação do centro de diagnóstico do Estado. 

“O laboratório de saúde público tem de ampliar a sua rede, mas a finalidade dele é ampliar a vigilância para o controle da epidemia. Nós já temos informação suficiente para ver que a epidemia está subindo rapidamente, os números crescem a cada dia”, disse Paulo Menezes, coordenador do Centro de Doenças (CCD) de São Paulo. 

Na segunda, o Ministério da Saúde já havia sinalizado a possibilidade de ampliar os exames, embora sem ações concretas. Na terça, a pasta afirmou que estuda criar hospitais de campanha e converter escolas em centros de atendimento para atender à demanda. Segundo o ministro, Luiz Henrique Mandetta, os meses de abril, maio e junho serão de “muito estresse” em relação ao surto. / COLABORARAM PEDRO CARAMURU e DANIEL GALVÃO

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