REUTERS/Ueslei Marcelino
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Brasil se torna o 2º país do mundo com mais de 20 milhões de habitantes em mortalidade por covid-19

Cálculo considera o número de óbitos por milhão de habitantes; Itália lidera o ranking

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2021 | 11h09

O Brasil é o segundo país do mundo com população acima de 20 milhões de habitantes com mais mortes por covid-19 por milhão, o chamado de coeficiente de mortalidade ou simplesmente mortalidade. A marca foi atingida nesta quinta-feira, 29, quando o País chegou a 1.887 mortes, superando o Reino Unido (1881). A Itália, primeiro país a sofrer com a pandemia causada pelo novo coronavírus, continua como líder do ranking, com 1996 óbitos por milhão de habitantes. O Peru é o quarto colocado (1832). Os Estados Unidos, líderes em número absoluto de mortes, aparecem em sexto lugar (1730).

Os dados estão presentes nas plataformas Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford (Reino Unido), e Worldometer, que também reúne informações sobre o avanço da pandemia. Dados consideram países com populações superiores a 20 milhões de habitantes, pois pequenas populações, como as de Gibraltar e San Marino geram distorções estatísticas.

O cálculo por milhão de habitantes se soma a outros indicadores que demonstram os efeitos dramáticos da pandemia no País. Também nesta quinta-feira, o Brasil ultrapassou a marca de 400 mil mortos por covid-19. O Brasil registrou 3.074 mortes nas últimas 24 horas, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Com isso, chegou ao total de 401.417 vítimas.

O patamar de mortes cotinua alto – a média móvel diária ficou em 2.523 - e o aumento da mobilidade eleva o risco de as cidades brasileiras observarem uma terceira onda da doença antes que seja atingido um índice significativo de vacinação. Em números absolutos, os Estados Unidos ainda lideram as estatísticas, com mais de 570 mil mortes por covid-19. 

Wallace Casaca, matemático e professor da Unesp, explica que o cálculo por milhão de habitantes possibilita comparar países com populações de diferentes tamanhos e, por isso, tornou-se uma das principais métricas epidemiológicas do mundo. “Ele pondera pelo número de óbitos que ocorreram nos países para cada grupo fechado de um milhão de habitantes”, diz o especialista, que é um dos responsáveis pela plataforma SP Covid-19 Info Tracker, que projeta infecções, óbitos e recuperados por covid-19 em São Paulo.

De acordo com projeções do especialista, baseadas na velocidade do avanço da pandemia nos países atualmente, o Brasil deverá superar a Itália e se tornar o país com maior mortalidade por covid-19 no mundo dentro de aproximadamente 14 dias. 

Para o médico Márcio Sommer Bittencourt, que atua no centro de pesquisa clínica e epidemiológica do Hospital Universitário da USP, as perspectivas de piora da pandemia estão mantendo desde o início do ano. "A perspectiva é continuar com uma taxa de transmissão razoavelmente alta, com uma queda muito lenta. Em relação aos outros países, isso vai fazer com que nossa posição continue subindo. A perspectiva é de que a gente ultrapasse, inclusive, os países menores, como Eslovênia e Macedônia. Não sei se vamos atingir países que estão no topo como Gibraltar e San Marino, mas estamos nesta direção", analisa o especialista. "Nossas medidas de contenção são pouco intensas, sem outras medidas de controle, com uma vacinação muito lenta. Com isso, a perspectiva é de piora", completa. 

 

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