Brasil confirma 1º caso de novo coronavírus em paciente de 61 anos em São Paulo

Homem tem histórico de viagem a trabalho para Itália; caso foi relatado no Hospital Albert Einstein

Mateus Vargas e Felipe Frazão - O Estado de S.Paulo

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BRASÍLIA - O Brasil confirmou na noite desta terça-feira, 25, o primeiro caso com teste positivo para o novo coronavírus, segundo apurou o Estado. Trata-se, segundo o Ministério da Saúde, de um homem de 61 anos, residente em São Paulo, com histórico de viagem para a Itália, na região da Lombardia (norte do país), a trabalho, sozinho, no período de 9 a 21 de fevereiro. O paciente, segundo as autoridades, está bem, tem sinais brandos da doença e ficará em isolamento domiciliar. 

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Equipe médica desinfeta vagão de metrô em Teerã, no Irã. O coronavírus já causou a morte de pelo menos 15 pessoas no país. Foto: Ali Shirband / EFE Foto:

O caso foi relatado pelo Hospital Israelita Albert Einstein como suspeito de coronavírus na tarde desta terça. Com resultados preliminares realizados pela unidade de saúde e conforme o Plano de Contingência Nacional, o hospital enviou a amostra para o laboratório de referência nacional, Instituto Adolfo Lutz, para contraprova, que já foi realizada. Fontes ouvidas pelo Estado, porém, adiantaram o diagnóstico positivo.

Segundo o hospital, o paciente foi atendido na unidade Morumbi, na zona sul da capital, na noite da última segunda-feira, 24, e a infecção foi confirmada por meio do teste PCR em tempo real.

"A equipe assistencial do pronto atendimento seguiu com rigor todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS) e Centers for Disease Control and Prevention (CDC-EUA), para oferecer o atendimento apropriado e garantir a segurança do paciente e de todos os profissionais envolvidos", informou, em nota, o hospital.

Coronavírus pelo mundo

1 | 21 No Vaticano, Papa Francisco cumprimenta com beijos e abraços os fiéis que o aguardam usando máscaras faciais, enquanto Itália confirma 11 mortes pelo coronavírus  Foto: EFE/EPA/MAURIZIO BRAMBATTI
2 | 21 Motorista de táxi dirige envolto em capa de plástico enquanto coronavírus se espalha pela China  Foto: Hector RETAMAL / AFP
3 | 21 Funcionários desinfetam interior de igreja católica em Seul, na Coreia do Sul, onde mais de 200 mil fiéis são testados por sintomas do coronavírus Foto: YONHAP / AFP
4 | 21 Agentes do governo iraniano desinfetam trens do metrô em Teerã, no Irã Foto: AP Photo/Ebrahim Noroozi
5 | 21 Foliões se divertem com fantasias de coronavírus durante o festival Mardi Grass, em Nova Orleans, nos EUA  Foto: Max Becherer/The Advocate via AP
6 | 21 Bolsa de Tóquio caiu 0,79% nesta quarta-feira, 26, refletindo efeitos do coronavírus, enquanto acionistas usam máscaras para fugir do vírus  Foto: EFE/EPA/KIMIMASA MAYAMA
7 | 21 Nas Filipinas, fiéis atendem missa com máscaras faciais  Foto: REUTERS/Eloisa Lopez
8 | 21 Agente de esquadrão emergencial anti-epidemias desinfetam carros de trem no distrito de Mangyongdae, na Coreia do Norte  Foto: AP Photo/Jon Chol Jin
9 | 21 Cidadãos da Indonésia chegam ao navio-hospital KRI Dr. Soeharso após serem evacuados de embarcação com suspeita de coronavírus  Foto: Indonesian National Armed Forces / Reuters
10 | 21 No Kuwait, crianças comemoram o Dia Nacional e Dia da Liberação com máscaras faciais, após governo local ter identificado nove pessoas infectadas pelo coronavírus  Foto: EFE/EPA/NOUFAL IBRAHIM
11 | 21 Na cidade de Herat, no Afeganistão, pessoas circulam com máscaras faciais após primeira pessoas infectada pelo coronavírus ter sido identificada no país  Foto: EFE/EPA/JALIL REZAYEE
12 | 21 No Japão, pessoas passeiam pelas ruas com máscaras faciais em meio às preparações do país para as Olimpíadas de 2020  Foto: REUTERS/Athit Perawongmetha
13 | 21 Na cidade de Gangelt, na Alemanha, creches e escolas estão fechadas após homem ter sido anunciado como o primeiro paciente positivo para o coronavírus no país  Foto: EFE/EPA/SASCHA STEINBACH
14 | 21 Policiais se protegem do coronavírus com máscaras durante expediente em área de turismo das Ilhas Canárias, na Espanha  Foto: AP Photo
15 | 21 Na Coreia do Norte, pessoas andam pelas ruas de Pyongyang com máscaras faciais  Foto: AP Photo/Jon Chol Jin
16 | 21 Escola católica é desinfetada por agentes do governo tailandês após estudante ter sido testado como positivo para o coronavírus  Foto: EFE/EPA/RUNGROJ YONGRIT
17 | 21 Estudantes universitários protestam contra epidemia do coronavírus na Tailândia  Foto: Mladen ANTONOV / AFP
18 | 21 Nas ruas de Milão, jovens ocupam praça enquanto usam máscaras faciais e número de mortes por coronavírus chega a 11 vítimas fatas no país  Foto: EFE/ Mourad Balti Touati
19 | 21 Em hospital do Paquistão, médicos e funcionários usam máscaras facuaus após confirmação de casos do coronavírus em países vizinhos como Afeganistão e Irã  Foto: EFE/EPA/JAMAL TARAKAI
20 | 21 Manifestantes de oposição ao governo protestam no Iraque usando máscaras faciais enquanto país confirmou primeira caso do coronavírus nesta semana 
21 | 21 Em Seul, na Coreia do Sul, ônibus são desinfetados para conter epidemia do coronavírus no país, onde 12 pessoas já morreram pela doença  Foto: EFE/EPA/JEON HEON-KYUN

Ainda de acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, o paciente não precisou ser internado, apresenta bom estado clínico e está "em isolamento respiratório, que será mantido durante os próximos 14 dias".

"A equipe médica segue monitorando-o ativamente, assim como as pessoas que tiveram contato próximo com ele", completa a nota.

O Ministério da Saúde divulgará oficialmente o laudo final da investigação às 11 horas desta quarta-feira, 26. O ministro, Luiz Henrique Mandetta, e o secretário paulista da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, estarão juntos na entrevista coletiva, em Brasília, para falar sobre o caso e anunciar quais providências serão tomadas. 

Iniciado na China em dezembro, o surto já tem cerca de 80 mil casos pelo mundo e mais de 2,6 mil mortes. Desde o fim da semana, a explosão de casos da Itália tem elevado o alerta global sobre a doença.  

Mulheres usam máscara facial na Galeria Vittorio Emanuele II, perto da Piazza del Duomo, no centro de Milão. Foto: Miguel MEDINA / AFP

Mesmo com a confirmação do resultado positivo, integrantes do governo já adiantaram ao Estado que nada mudará na estratégia que já vem sendo conduzida para conter o avanço da doença, uma vez que o País já antecipou a decretação do estado de emergência em saúde pública. Nesse cenário, pode até fazer contratos sem licitação.

As secretarias de Saúde do Estado e da Prefeitura realizam a identificação de pessoas que tiveram contato com o paciente na residência, hospital e no voo, com auxílio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da companhia aérea.

No total, São Paulo investiga mais três casos suspeitos, todos de adultos: dois da capital e um de Bauru. Todos são viajantes que vieram de algum dos países que entraram na lista de vigilância do ministério, que inclui Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes. Nesta terça, a Embaixada do Brasil em Roma destacou que “o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália”.

Governo corre para comprar máscaras, luvas e imunoglobina

Segundo apurou o Estado, o governo está em fase final de compra de equipamentos, como máscaras e luvas. Já a contratação de mil leitos em hospitais, anunciada em janeiro, ainda está em análise. O governo corre para garantir a compra de imunoglobulina, usado em pacientes com imunidade baixa e para amenizar efeitos de infecções.

A ideia é trazer o produto emergencialmente da China e da Coreia do Sul, mas a finalização da importação espera aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Para Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o País está preparado para eventual chegada do vírus. “Já estão identificados os hospitais e, se a doença evoluir, providências serão tomadas.”

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Croácia, Espanha, Áustria e Suíça confirmam casos de coronavírus

Hotel nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, foi colocado em quarentena após um caso ser testado positivo

Redação - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Enquanto a Itália continua registrando um aumento do número de casos de pessoas infectadas e de mortos em decorrência do novo coronavírus, outros países vizinhos registraram nesta terça-feira, 25, seus primeiros casos, indicando que viajantes estão carregando o vírus para outras partes da europa. Pelo menos dois hotéis, um nas Ilhas Canárias e outro na Áustria, foram colocados em quarentena.

Em apenas 24 horas, o número de casos na Itália cresceu 45%, chegando a 322. Onze pessoas morreram – todos idosos. Apesar de a maior parte dos casos ainda estar na região norte do país, em especial na Lombardia, nesta terça foram identificadas três pessoas contaminadas na Sicília (no sul do país), duas na Toscana e uma na Ligúria. Áustria, Croácia e Suíça informaram seus primeiros casos – todos de pessoas que tinham viajado recentemente para a Itália –, e a Espanha registrou três novos casos.

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Um psicólogo conversa com um grupo de trabalhadores fora do H10 Costa Adeje Palace Hotel, em La Caleta, onde centenas de pessoas foram confinadas depois que um turista italiano foi hospitalizado com um caso suspeito de coronavírus.  Foto: DESIREE MARTIN / AFP

Um hotel em Tenerife, nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, foi colocado em quarentena após um médico e sua mulher que estavam hospedados no local terem sido testados positivamente para o coronavírus. Eles são da região norte da Itália, que concentra a maior parte dos 322 casos confirmados no país.

Cerca de mil turistas hospedados no H10 Adeje Palace foram impedidos de deixar o local, de acordo com oficiais locais. Uma hóspede descreveu que ela e sua família estavam se sentido como "macacos em uma jaula". O outro caso espanhol foi dectado em Barcelona – uma mulher que tinha estado na Lombardia alguns dias antes.

As Ilhas Canárias, um arquipélago a 100 quilômetros da costa oeste da África, são um popular destino turístico para europeus durante todo o ano. Muitos italianos estão passando as férias de meio de inverno no local.

O ministro da Saúde da Espanha, Salvador Illa, conversa com jornalistas que acompanham caso de coronavírus em hotel nas Ilhas Canárias. Foto: AP Photo/Paul White

Um outro hotel foi colocado em quarentena na cidade turística de Innsbruck, na Áustria, onde trabalha uma recepcionista italiana que foi contaminada com o vírus. Ela e seu marido, também italiano, foram colocados em quarentena em um hospital da cidade, onde foram diagnosticados. Eles tinham viajado na sexta-feira, de carro, da Lombardia para a Áustria.

Segundo a mídia local, ela trabalha no Gran Hotel Europa, que tem 108 quartos, no centro da cidade. Ninguém pode sair ou entrar até que as autoridades possam checar com quem eles estiveram em contato. 

Policiais guardam a entrada do Grand Hotel Europa, em Innsbruck, depois que autoridades puseram o local em isolamento porque uma funcionária foi diagnosticada com o vírus Foto: Daniel Liebl / Reuters

Enquanto afirma ter controle da situação, o governo brasileiro anunciou ontem que vai monitorar passageiros vindos da Itália, mas também da França e Alemanha que apresentem sintomas.

O ministro das relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou ontem ao Estado que o País acompanha a situação na Itália e seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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Sobe para 11 o número de mortos na Itália em surto de coronavírus

Número de infectados no país chegou a 374 nesta quarta e vírus faz as primeiras vítimas menores de idade na região

Redação - O Estado de S.Paulo

O total de mortes causadas pelo coronavírus na Itália chegou a 12 nesta quarta-feira, 26, informou a agência de Proteção Civil do país. Três vítimas eram da região mais afetada pelo vírus, a Lombardia, e uma mulher estava hospitalizada em Treviso, no Vênero. O número de casos confirmados também aumentou para 372 – quase 200 a mais do que no balanço de segunda-feira. 

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O número total de infectados pelo novo coronavírus na Itália também aumentou neste domingo e chegou a 97.689 Foto: Miguel MEDINA / AFP

A grande maioria dos casos ainda se concentra no norte do país. Mas pela primeira vez desde o início do surto, na sexta-feira, o vírus chegou ao sul, na cidade de Palermo, na Sicília. Uma das mulheres contagiadas é de Bérgamo, na Lombardia, e estava viajando com dois amigos por Palermo. Também foram registrados casos pela primeira vez na Toscana e na Ligúria.

Em toda a região norte do país tem havido uma corrida aos supermercados, que já apresentam prateleiras. vazias. Logo que o surto começou, os itens mais procurados eram desinfetantes e máscaras descartáveis, mas agora a busca é de praticamente todos os itens, de papel higiênico a frutas, carnes, enlatados em geral, macarrão, arroz. Tudo com data de validade maior. E os frescos, inclusive os ovos, já sumiram das prateleiras dos supermercados.  

Nesta terça-feira, 25, outros países europeus começaram a registrar seus primeiros casos de infectados. Um hotel nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, foi colocado em quarentena após um médico italiano hospedado no local ter sido testado positivamente para o coronavírus.

Há dois casos confirmados também na Áustria. Ao site Wiener Zeitung, as contaminações teriam sido identificadas na região do Tirol. Tratam-se de pessoas com 24 anos, uma delas da região da Lombardia, na Itália. Eles permanecerão em quarentena. Na Croácia e Suíça, segundo informações do The Guardian, também foram reportados casos, assim como um caso identificado na Catalunha, na Espanha. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos da Itália para o Brasil

Órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre o avanço do novo coronavírus no país europeu

Camila Turtelli - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, 25, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

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Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

Mulheres usam máscaras na região central de Milão  Foto: ANDREAS SOLARO / AFP

"Autoridades locais podem tomar medidas diversas, como proibição de acesso a municípios; suspensão de eventos programados e de outras formas de reuniões em locais públicos ou privados; suspensão de serviços de educação infantil e escolar; fechamento de museus; suspensão de atividades de serviço público; aplicação da quarentena com vigilância ativa àqueles que mantiveram contatos estreitos com as pessoas afetadas pelo vírus; e restrição de acesso ou suspensão dos serviços de transporte de mercadorias e de passageiros, entre outras", informou. "O eventual descumprimento das instruções poderá implicar sanções penais", completou.

A embaixada pede também que uma série de orientações do Ministério da Saúde da Itália seja seguida e que visitas às províncias de Lodi e Milão sejam evitadas.

Entre as medidas estão:

  • lavar as mãos frequentemente;
  • evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
  • não tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos;
  • cobrir a boca e o nariz se espirrar ou tossir;
  • limpar as superfícies com desinfetante à base de cloro ou álcool;
  • não tomar medicamentos antivirais ou antibióticos, a menos que prescrito pelo seu médico;
  • em caso de dúvida, não ir ao pronto-socorro: ligar para o médico de família e, se achar que foi infectado, ligar para o 112 (telefone para atendimento na Itália);
  • usar máscara apenas se suspeitar estar doente ou se prestar assistência a pessoas doentes.

Por fim, o comunicado esclarece que os produtos "Made in China" (feitos na China) e pacotes recebidos da China não são perigosos e que os animais de estimação não transmitem o novo coronavírus.

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Brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras por causa de coronavírus

Norte de país europeu suspendeu eventos e até tradicional carnaval de Veneza; existe muito alarmismo, diz arquiteto

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Há três anos em Milão, o primeiro contato da jornalista brasileira Mari di Pilla com a situação de pânico por causa do novo coronavírus se deu na quinta-feira, 20, durante um desfile na semana de moda local. “Já se comentava bastante, mas ninguém ainda usava máscara. No dia seguinte, tudo mudou e o uso se generalizou. Até que no domingo dois desfiles importantes foram cancelados”, conta. No país europeu, já foram confirmadas sete mortes e há mais de 280 casos da doença

O número total de infectados pelo novo coronavírus na Itália também aumentou neste domingo e chegou a 97.689 Foto: Miguel MEDINA / AFP

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Um decreto do Ministério da Saúde, com disposições específicas e destinadas aos residentes da Lombardia, foco do surto em 11 cidades, cancela eventos e pede às pessoas um “toque de recolher voluntário”, ao “evitar frequentar lugares superlotados e de participar de manifestações”.

Entre as medidas extraordinárias, válidas até dia 1.º, há restrição na circulação entre as cidades afetadas, fechamento de 5.500 escolas, além de creches, teatros, cinemas e museus. No domingo, 23, o chefe da região do Vêneto, Luca Zaia, suspendeu até o tradicional carnaval de Veneza.

No esperado desfile de Giorgio Armani em Milão, os modelos desfilaram na passarela excepcionalmente sem plateia – jornalistas e compradores puderam acompanhar o evento ao vivo, mas pelas redes sociais. 

Moradora do agitado Naviglio, bairro central de Milão, famoso por sua vida noturna e seus canais navegáveis, projetados por Leonardo da Vinci, Mari aliás se surpreendeu com a ausência de pedestres no local.

Mari se surpreendeu com a ausência de pedestres no agitado bairro que vive, em Naviglio Foto: CLAUDIO FAGNANI

Segundo o motorista de Uber brasileiro Wenderson, há dois anos em Milão, o movimento caiu ao menos 40%. “Ninguém quer saber de sair de casa." Cenas como a de El Duomo e do Ópera alla Scala fechados, famosos pontos turísticos, começam a correr o mundo.

Curadora do Salão Satélite, mostra que ocorre paralelamente ao Salão do Móvel de Milão, Marva Griffin teve de rever seus planos de viagem. Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso. “Nossa diretoria proibiu qualquer deslocamento de nosso staff para o exterior até segunda ordem. Jamais vi situação como esta.”

Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso devido ao surto de coronavírus no país.  Foto: DUNCAN MCCALLUM

“Se fala de tudo e de modo confuso: isolamento, fechamento de escolas, cinemas, teatros. Mas a cada nova notícia, o resultado é o mesmo, com as pessoas correndo para estocar comida”, conta o arquiteto brasileiro Gustavo Minosso, há 12 anos em Milão. Apesar de continuar a frequentar seu escritório normalmente, Minosso tem evitado lugares fechados. Até o momento, não vê motivos para pânico. “Existe muito alarmismo."

Morador da pequena Bergamo, a cerca de trinta quilômetros de Milão, o agente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Tomaso Raboni concorda com o arquiteto. Apesar da atmosfera geral na cidade ser de muita preocupação, com registro de desabastecimento generalizado, principalmente de álcool em gel, ele se mostra até otimista. “Acredito que a situação deve se estabilizar nos próximos dias. O vírus pode até se espalhar, mas apenas as pessoas debilitadas são mais vulneráveis."

Tomaso Raboni é morador da pequena Bergamo, que fica a cerca de trinta quilômetros de Milão.  Foto: Tomaso Raboni/ Arqeuivo Pessoal

Quem tem viagem marcada já revisa planos

Entre os brasileiros que pretendem se deslocar para Milão, ou arredores, nos próximos dias – e meses – a sensação geral é de espera. “Até o momento, não tivemos nenhum tipo de desistência”, diz a agente de viagens Simonetta Occhionero.

Um de seus clientes, no entanto, o empresário gaúcho Edson Busin, diretor de marketing da Dell Ano, já está revisando seus planos de viagem para o Salão do Móvel de Milão, marcado para abril. “Há seis meses programamos a viagem, mas na sexta faremos uma reunião final para decidir sobre nossa ida e, pelas notícias que temos até agora, a possibilidade de que ela não ocorra é bem grande.”

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Irã tem 15 mortes por coronavírus e até vice-ministro da Saúde é diagnosticado com doença

País já é o segundo com mais mortes pela doença depois da China, com 139 casos confirmados; países vizinhos cancelam voos

Redação - O Estado de S.Paulo

TEERÃ - Com 19 mortes pelo novo coronavírus, o Irã já é o segundo país com mais mortes no surto, depois da China, que registra mais de 2,5 mil óbitos. O vice-ministro da Saúde iraniano, Iraj Harirsh, é um dos diagnosticados com a doença, informaram autoridades nesta terça-feira, 25. País vizinhos, como os Emirados Árabes, a Turquia e a Armênia, já anunciaram suspensão de voos para o Irã, que tem sido cobrado por mais transparência para divulgar informações sobre o alcance do surto. 

Homens usam máscara no Iraque para tentar se proteger do coronavirus. Casos foram confirmados na cidade de Najaf. O país recebe com frequência estudantes e peregrinos religiosos do Irã. Lá pelo menos uma dúzia de casos de morte pelo coronavius já foi confirmado.  Foto: HAIDAR HAMDANI/AFP

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"Ontem à noite tive febre e testes preliminares deram positivo", afirmou o vice-ministro, em vídeo. "Me isolei desde o último teste. E comecei o tratamento, acrescentou Harirsh, que na véspera havia tossido e transpirava excessivamente durante uma coletiva de imprensa. Segundo o governo, há 139 casos registrados no Irã. 

A região de Qom, epicentro da epidemia no Irã, não foi colocada sob quarentena, mas cerimônia religiosas foram suspensas. Em outras províncias, como Teerã, ônibus e vagões de metrô foram desinfetados durante a noite. O Irã ainda busca a origem do vírus em seu território. O ministro da Saúde, Said Namaki, afirmou que um dos mortos de Qom era um comerciante que viajava com frequência à China. 

O presidente iraniano, Hasan Rohani, pediu calma à população e disse que esta epidemia não é pior do que outras já enfrentadas pelo país. No exterior, o governo tem sido acusado de esconder informações sobre o surto. Um legislador local chegou a dizer que o número de  óbitos pode ser de cerca de 50. As autoridades prometem transparência. 

Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, cobrou transparência de Teerã. "Os Estados Unidos estão muito preocupados sobre as informações de que o regime iraniano pode ter ocultado detalhes importantes sobre a épidemia", declarou Pompeu a jornalistas nesta terça. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

 

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Coronavírus: O que você precisa saber para viajar para a Itália

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: País acumula 283 pessoas afetadas pelo novo vírus; sete morreram e um paciente foi curado

Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo

O avanço do novo coronavírus pela Itália despertou a atenção dos brasileiros para uma série de questões envolvendo viagens para o país europeu. Enquanto brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras nas regiões mais afetadas, as dúvidas por aqui giram em torno de eventuais restrições impostas para quem pretende viajar para o país, quais são as regiões mais afetadas e, até mesmo, quais os procedimentos para cancelar uma viagem, se assim desejar. 

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A equipe do aeroporto verifica as temperaturas dos passageiros que retornam de Milão como parte do procedimento de triagem de coronavírus no aeroporto de Debrecen, na Hungria. Foto: EFE/Zsolt Czegledi

Para sanar essas e outras dúvidas, o Estado publicou um perguntas e respostas específico sobre a situação na Itália, país que acumula 283 pessoas afetadas pelo novo coronavírus, sete mortes e uma pessoa curada - os dados são oficiais do ministério da saúde italiano e atualizados até esta terça-feira, 25, às 12h (horário local de Roma); Confira o perguntas e respostas

Há alguma restrição de viagem à Itália por causa do novo coronavírus?

Por enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação deste tipo e o Brasil também não deu essa orientação para a população. Alguns países, porém, já estão tomando essa decisão, como Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia, Irlanda, Israel, de acordo com o jornal italiano La Repubblica. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos recomendaram a seus viajantes cuidado. Já a França está colocando em quarentena viajantes que retornarem da Lombardia e do Vêneto, as mais afetadas, também de acordo com o jornal. O governo brasileiro só tem recomendado evitar viagens à China. 

Quais regiões da Itália são as mais afetadas?

A porção norte da Itália é a que concentra a maior parte dos 229 casos já identificados, em especial os estados da Lombardia e do Vêneto. Pelo menos 11 cidades foram colocadas em quarentena: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas, e Vo 'Euganeo, no Vêneto, com quatro mil habitantes.

Devo cancelar minha viagem à Itália?

Apesar de a taxa de transmissão ser alta, a maior parte dos casos é leve e a taxa de mortalidade é de 3% para os casos mais graves. Pessoas jovens, sem nenhuma outra comorbidade, podem viajar, mas é preciso tomar precauções, visto que a doença pode ser transmitida, mesmo não causando sintomas.  Segundo a OMS, dos registros na Itália, quatro em cada cinco infectados tiveram sintomas leves ou nenhum sintoma.  

Se quiser cancelar a viagem, a companhia aérea me reembolsa?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é direito do consumidor a proteção à sua vida e sua saúde, então, diante da epidemia, é possível negociar com companhias aéreas e agências de turismo. Como ainda não há recomendação da OMS para se evitar viagens, a decisão deve ser tomada caso a caso. Viajantes que iriam para eventos que forem cancelados também podem usar isso como argumento.

Se viajar à Itália, quais cuidados devo tomar?

Os cuidados são semelhantes aos da gripe. Lavar sempre as mãos, manter distância de 1,5 metro a 2 metros das pessoas infectadas ou que apresentem algum tipo de infecção respiratória, principalmente se forem provenientes de alguma região de risco. Outra medida que pode ajudar é o uso de máscaras.

Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos vindos da Itália

A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

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'Não sabemos potencial da transmissão sem sintoma; coronavírus pode passar despercebido'

Especialista em infectologia explica qual é o status da epidemia de coronavírus com a propagação dos casos pela Europa e quais são os riscos de chegar ao Brasil

Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Com a chegada do novo coronavírus na Itália e a rápida propagação dos casos no país, aumenta o temor de que ele se espalhe para a Europa e dali para outras partes do mundo. Já é hora de falar em pandemia? Com a comunicação mais intensa do continente com o Brasil, as chances de um passageiro com o vírus chegar ao País são maiores? Estamos preparados?

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Para responder a essas questões, conversamos com a infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ela explica que o risco é maior e que ainda há muitas dúvidas sobre a dinâmica da epidemia, o que gera insegurança sobre a melhor estratégia para conter a epidemia, se é que ainda é possível. 

O número total de infectados pelo novo coronavírus na Itália também aumentou neste domingo e chegou a 97.689 Foto: Andreas Solaro/AFP

De acordo com ela, muito provavelmente casos assintomáticos estão passando despercebidos e isso talvez possa explicar a rápida propagação na Itália. Do ponto de vista individual, diz que o risco da doença é baixo, mas para o sistema público de saúde, pode ser o caos. Para o Brasil, ela recomenda um diálogo franco com a comunidade. Se a epidemia chegar, as pessoas que tiveram quadros leves da doença devem saber que têm de ficar em casa, deixando os hospitais para os casos graves.

O rápido avanço da epidemia de coronavírus pela Itália indica que se está se caminhando para uma pandemia?

Não é só na Itália. Há um número grande também na Coreia, no Irã. Mas a maior parte dos casos italianos está em comunas próximas de Milão. São cidades pequenas, periféricas, onde fica mais fácil controlar os habitantes, então talvez seja possível ter uma certa contenção do vírus. Mas epidemias são imprevisíveis, não dá para saber se dali vai para o resto da Europa. É um momento extremamente difícil. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declara que temos uma pandemia, gera uma instabilidade. Cada país toma uma providência sobre barreiras, sobre como lidar com voos. Mesmo no local que está com o vírus, alguns lugares são fechados, outros não. Uma agência de saúde pode ser mais agressiva, outros países podem deixar mais solto. Falta esse consenso internacional.

Muito se fala que apesar de ser transmitido muito rapidamente, o Covid-19 tem uma baixa letalidade. Há realmente motivo para preocupação?

Muitas pessoas têm comparado com a epidemia do H1N1, de 2009, em que se esperava uma coisa e não foi bem assim. De fato esse coronavírus tem uma mortalidade menor, mas há muitas diferenças. Ele não tem até o momento tratamento; o influenza tem, desde que comece cedo. Não existe imunidade para ele na população; O influenza nós sabemos que tem predileção por algumas faixas etárias. A transmissibilidade desse vírus, pelo que se vê, é mais elevada do que para outros vírus respiratórios. Mas temos incertezas ainda sobre a dinâmica da epidemia. Se durante o período assintomático, o vírus transmite com a mesma eficiência; se a pessoa continua transmitindo mesmo depois de ter se recuperado. O que sabemos até agora são de algumas publicações e relatos sobre alguns grupos na China, mas não temos, por exemplo, ainda, um estudo sobre o efeito na comunidade. Para o H1N1  isso tudo foi descoberto e compartilhado muito rapidamente. Tínhamos dados dos Estados Unidos, do México para entender como estava evoluindo. Mas a epidemia está lá na China desde dezembro e ainda não sabemos essas coisas. A OMS mesmo só entrou na China há cerca de duas semanas para entender a epidemia. Ainda não tivemos acesso ao panorama completo. 

Qual é o risco?

A gente tem de olhar a questão sob dois ângulos. Do ponto de vista individual, se uma pessoa me pergunta se ela deve ir para Milão, se ela tem chance de morrer, temos de considerar o seguinte. Se é uma pessoa jovem, sem nenhuma comorbidade, a chance é mínima, porque a maioria dos casos é leve. A chance de óbito nos casos críticos é de 3%. Mas do ponto de vista da saúde pública, temos de pensar que a epidemia pode gerar um caos. Imagine uma cidade com 3 mil habitantes que fechou escolas, comércio, fábricas, com um monte de gente procurando hospital, pessoas com a doença, mas também aqueles só com suspeita, mas que estão assustados. E os profissionais de saúde também podem ficar doentes, o que diminui a oferta de atendimento e não tem como aumentar. E mesmo que a mortalidade não seja alta, se um hospital tem três leitos numa UTI e eles são ocupados por esses pacientes, como ficam pessoas com outras doenças? Não é todo mundo que constrói um hospital novo em dez dias, como ocorreu na China.

Coronavírus na Itália

1 | 14 Até segunda-feira, 24, o governo italiano confirmou seis mortes e 11 cidades afetadas Foto: Angelo Carconi/EFE
2 | 14 Municípios com casos registrados, a exemplo de Sanfiorano, passaram a ter toque de recolher Foto: Marzio Toniolo/Reuters
3 | 14 Em áreas de quarentena, as ruas ficaram vazias Foto: Marzio Toniolo/REUTERS
4 | 14 Entre os moradores de áreas afetadas, há idosos e crianças Foto: Marzio Toniolo/REUTERS
5 | 14 Sem poder sair de casa, idosa de 85 anos mantém-se atualizada sobre coronavírus pela TV Foto: Marzio Toniolo/REUTERS
6 | 14 Medidas de precaução incluem fechamento de escolas, academias, museus e cinemas em áreas afetadas no norte do país Foto: Andrea Pattaro/AFP
7 | 14 Policiais bloqueiam entrada de hospital em Monselice, na província de Pádua Foto: Marco Sabadin/AFP
8 | 14 Na região da Lombardia, agentes usam máscara para abordar os veículos Foto: Yara Nardi/REUTERS
9 | 14 Na Estação Termini, a principal de Roma, pessoas circulam com máscaras de proteção Foto: Angelo Carconi/EFE
10 | 14 Em Milão, usuários do transporte público também são vistos usando máscara de proteção Foto: Andreas Solaro/AFP
11 | 14 O número total de infectados pelo novo coronavírus na Itália também aumentou neste domingo e chegou a 97.689 Foto: Andreas Solaro/AFP
12 | 14 Participantes do tradicional carnaval de Veneza também tomam cuidado contra coronavírus Foto: Manuel Silvestri/REUTERS
13 | 14 Turistas usam máscara até no passeio de gôndola Foto: Andrea Pattaro/AFP
14 | 14 Por conta da epidemia, equipe do Barcelona teve acompanhamento médico para treinar em Nápoles Foto: Ciro De Luca/Reuters

Com o vírus sendo transmitido na Europa, aumentam as chances de chegar ao Brasil?

Com certeza, quanto mais países europeus ou americanos tiverem a doença, mais chance de ter um passageiro vindo para cá. O problema é que existe transmissão assintomática e não sabemos o potencial disso. Já podem ter chegado pessoas assintomáticas ou com quadro leve e ainda não sabermos.  Muito provavelmente o que aconteceu na Itália é que o vírus passou despercebido por algum tempo. De acordo com relatos do Ministério da Saúde local, dois chineses foram internados com a doença no final de janeiro em Roma. Deve ter sido feito um alerta na região, mas não foi suficiente para todo mundo ficar atento no norte do país. Casos leves provavelmente não foram notados. Afinal, é inverno, é normal ter gente espirrando ou tossindo por outros vírus respiratórios. Sem o alerta, alguém com febrinha ou tosse não vai procurar o serviço de saúde. Mas quando surge a notícia de um vírus novo na cidade, aí todo mundo procura, por isso tantos casos. Certamente a coisa não se espalhou somente em três dias. A literatura indica que quando aparece o primeiro caso grave de hospitalização ou de óbito, é porque o vírus já está circulando há pelo menos três semanas na comunidade. 

O Brasil está preparado para a epidemia, se ela chegar por aqui?

No momento, o que o País anunciou estar fazendo está correto: de fazer as orientações para a população, os alertas em aeroportos, os atendimentos para casos suspeitos. Para este momento em que ainda não temos documentação de transmissão local está correto. Mas se chegar aqui mesmo, aí vai ser a prova de fogo se houve treinamento dos profissionais de saúde, se há garantia dos suprimentos hospitalares para os serviços públicos de saúde. É preciso ter seriedade na comunicação com a população. Tem de explicar o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quando se deve ficar em casa. É preciso ter planos de contingência para estabelecer quanto tempo uma pessoa contaminada não deve ir trabalhar ou ir para a escola. Tudo tem de ficar claro desde o início. Evitar que a epidemia tome um vulto grande ou que a situação fique caótica depende muito de as pessoas entenderem: se estou doente e não preciso do hospital, não vou a lugares públicos para mitigar a epidemia e vamos reservar os hospitais para quem precisa.

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