Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Brasil tem 18 mortes por coronavírus, de acordo com Ministério da Saúde

São Paulo concentra o maior número de óbitos, 15. País tem 1.128 casos suspeitos da doença

Anne Warth, Eduardo Rodrigues, Felipe Frazão, João Ker e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 17h47
Atualizado 12 de abril de 2020 | 20h09

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O Ministério da Saúde divulgou neste sábado, 21, que o Brasil já contabiliza 18 mortes pelo novo coronavírus no País. Ao todo, o Brasil tem 1.128 casos confirmados da doença. O governo afirma que, a partir de agora, não serão mais apresentados os casos suspeitos dado que já há transmissão local no País. São Paulo concentra o maior número de óbitos, 15, e de casos suspeitos, 459. Na sexta-feira, de acordo com o ministério, eram 11 mortes no País. A taxa de letalidade, de acordo com a pasta, é de 1,6%. 

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo Reis, afirmou que, por enquanto, a taxa de letalidade global do novo coronavírus gira em torno de 3,4%, mas ainda é cedo para comparar esse dado à situação do Brasil pois, de acordo com ele, o País tem poucos casos registrados até o momento.  Segundo Gabbardo, "estamos muito longe da curva [de evolução] da Coreia, estamos um pouco acima da Alemanha e abaixo da Itália." 

O secretário-executivo fez ainda um apelo para que a população faça sua parte para conter o avanço do novo coronavírus no País. Na avaliação dele, não se deve esperar que apenas o poder público adote ações para impedir a evolução da doença. Gabbardo pediu a todos que fiquem em casa como forma de proteger a própria família, principalmente os mais velhos. “Estamos chegando em um momento difícil. Todos nós temos que ter uma decisão e um engajamento pessoal”, afirmou. “Cada um de nós terá que fazer sua parte, com calma, tranquilidade. Não adianta ter pânico.”

Ele também reforçou o apelo para que as pessoas passem mais tempo em casa e evitem ficar nas ruas. “Isso vai diminuir a velocidade de evolução da doença”, disse.

Gabbardo afirmou que o governo está expandindo o número de leitos de UTI antes que a doença se espalhe. “Estamos usando hoje 10 ou 15 leitos, temos 55 mil. Conseguimos adquirir insumos, máscaras, equipamentos de proteção individual. Distribuímos 20% do estoque para Estados e municípios, temos 80% ainda e vamos distribuir gradativamente, conforme a necessidade”, acrescentou.

De acordo com Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde, o número de casos e óbitos ainda não está representando a realidade da epidemia que o Brasil está vivendo. Oliveira também falou sobre como se dá o quadro da doença no País. "A maioria absoluta dos casos está em cidades com mais de 500 mil habitantes. Em cidades menores, são sempre casos relacionados a viagens. Então, temos uma epidemia muito concentrada em grandes centros", afirma.

Gabbardo afirmou que todos os países terão problemas no enfrentamento do novo coronavírus e que, no Brasil, não será diferente. “Algumas características nos ajudam, outras nos prejudicam. Mas neste fim de semana, vamos mostrar cada um de nós fazendo a sua parte, as cumprindo recomendações.” Ele disse que a velocidade de evolução da doença está na mão de cada um e que toda a comunicação do País – seja do governo, seja da imprensa – está direcionada para o combate ao novo coronavírus.

“O número de casos, óbitos e internações pode estar na nossa mão, se cada um fizer sua parte para reduzir”, afirmou. “Esperamos que a população entenda que cada medida de precaução não é apenas para si mesmo, mas principalmente para a sua família, para os de mais idade, e para o seu próximo. E esperamos que seja por pouco tempo.”

Remédios

Gabbardo afirmou também que a produção dos remédios hidroxicloroquina e azitromicina pelas Forças Armadas, como anunciou mais cedo o presidente Jair Bolsonaro, já é feita no Brasil, tanto no laboratório das Forças Armadas quanto em instituições como a Fiocruz

Ele afirma que o presidente autorizou a ampliação de produção dos medicamentos para disponibilização a pacientes graves do coronavírus, reforçando que esse tipo de tratamento ainda é feito de forma experimental e a nova leva disponibilizada será para reforçar os testes.  

De acordo com o governo, na próxima semana, serão recebidos 5 milhões de testes rápidos. Com isso, serão realizados novos exames em casos não considerados graves. 

Análises

O médico Naomar Almeida Filho, professor de epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), alerta a subnotificação de casos deve tornar a taxa de letalidade no País superestimada. Neste sábado, com 1.128 infecções confirmadas e 18 mortes, a letalidade do coronavírus no Brasil ficou em 1,6% – mas deve ser mais baixa, segundo os especialistas, já que o número de casos real é maior. 

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"Prossegue a tendência de ascensão rápida, como era esperado", disse o professor, sobre os números divulgados neste sábado. "O Brasil tem uma das epidemiologias mais bem desenvolvidas do mundo. Depois de Estados Unidos e Reino Unido, estamos nessa faixa de competência junto a países europeus que agora estão no epicentro da pandemia."

Para Almeida FIlho, no entanto, a comparação dos dados na epidemia brasileira com outros países será difícil, já que a capacidade de realizar de testes tem variado no mundo. Ele sugere que pesquisadores e o governo façam um "estudo epidemiológico tipo fast-track" para identificar detalhes da população mais afetada pelo vírus, e estimar a subnotificação.

"Microindicadores de morbidade, internos à população afetada por um problema de saúde como a infecção por coronavírus, são muito úteis para planejamento e alocação de recursos", ele diz. "Aí deixaremos de depender de análises de riscos feitas em outros países, com perfis demográficos totalmente distintos, em outros contextos."

Já o professor Bernardino Alves Souto, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), considera que as autoridades brasileiras demoraram para implementar medidas de restrição. Ele diz que a curva ascendente dos casos confirmados no Brasil é semelhante à situação de países na Europa.

"Quando se começa a agir tarde, quase não se tem mais o que fazer", diz Alves Souto. "Enquanto a taxa de crescimento for positiva, a epidemia ainda está em ascensção. Quando a taxa de crescimento é menor do que no dia anterior isso é um alento, mas essa redução tem de ser sustentada, não pode ser só de um dia para o outro."

Veja a distribuição dos casos pelo País

REGIÃO NORTE:  26 casos confirmados - 2.3% do total do País

Acre: 9

Amazonas: 11

Amapá: 1

Pará:2

Rondônia: 1

Roraima: nenhum caso

Tocantins: 2 

REGIÃO NORDESTE: 168 - 14.8%  

Alagoas: 7

Bahia: 41 

Ceará: 68

Maranhão: 1 

Paraíba: 1 

Pernambuco: 30 

Piauí: 4 

Rio Grande do Norte: 6 

Sergipe: 10 

REGIÃO SUDESTE: 642 casos - 56.9% 

Espírito Santo: 26 

Minas Gerais: 38 

Rio de Janeiro: 119 (3 óbitos) 

São Paulo: 459 (15 óbitos) 

REGIÃO CENTRO-OESTE: 138 casos - 12.2%

Goiás: 20 

Mato Grosso do Sul: 16 

Mato Grosso: 2 

REGIÃO SUL: 154 casos - 13.7% 

Paraná: 43

Santa Catarina: 51 

Rio Grande do Sul: 60 

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