WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Brasil tem 234 casos de novo coronavírus; Rio decreta emergência

De acordo com o Ministério da Saúde, País tem 2064 casos suspeitos; no Rio, Wilson Witzel diz que governadores vão pedir ajuda de R$ 50 bilhões à União para resolver o problema

Mateus Vargas, Caio Sartori, Rafael Moraes Moura, Julia Lindner e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 16h28
Atualizado 16 de março de 2020 | 23h49

Correções: 16/03/2020 | 23h49

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO - O Ministério da Saúde atualizou há pouco a sua plataforma de notificação de casos de coronavírus e informa que há no País 234 pacientes confirmados para a doença. Diante do cenário do avanço da doença, no Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel decidiu decretar estado de emergência ainda nesta segunda-feira, 16. Ele também disse que os governadores decidiram, em conjunto, pedir R$ 50 bilhões à União para os Estados conseguirem lidar com o problema.

No domingo, 15, o Brasil contabilizava 200 casos confirmados do novo coronavírus. Há outros 2.064 pacientes monitorados sob suspeita de infecção pela covid-19. Já foram descartadas 1.624 casos. Não há óbito no Brasil. O Estado de São Paulo tem o maior número de infectados, com 152 pacientes - ontem eram 136. Depois, vem o Rio de Janeiro, que registra 31 casos.

O Ministério da Saúde informou na última semana que locais com transmissão comunitária da doença, como São Paulo e Rio, devem reduzir a "busca ativa" por casos de novo coronavírus, ou seja, testar para a doença apenas pacientes graves. O cenário indica que o vírus já está em processo de disseminação no território.

A medida marca a entrada destes locais na fase de "mitigação da doença", quando a prioridade é salvar vidas em vez de segurar a entrada da doença no País, pois o vírus já circula ativamente, diz o ministério. O governo reconhece que os dados de casos confirmados devem ficar defasados nesta etapa, mas afirma que a medida é mais racional.

Paciente em estado grave é médico de 65 anos

O paciente que contraiu coronavírus e está em estado grave no Rio de Janeiro é um médico nefrologista de 65 anos, internado desde a última sexta-feira, 13, no Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão (zona norte do Rio).

Em boletim, o hospital informou que o paciente está na UTI, em estado grave e em isolamento, e teve o diagnóstico de covid-19 confirmado no domingo, 15. “Com as medidas terapêuticas adotadas, está apresentando melhoras respiratória e hemodinâmica”, informa o boletim. Apesar da melhora, ele não tem previsão de alta.

Formado pela Universidade Gama Filho em 1977, o médico concluiu em 1984 o mestrado em Nefrologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Em 1994, terminou o doutorado em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo consta em seu perfil em redes sociais, o médico é professor de Nefrologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e nefrologista do Ministério da Saúde, cedido ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, vinculado à Uerj. 

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Bolsonaro cria comitê

O presidente Jair Bolsonaro criou um comitê para supervisão e monitoramento da crise provocada pela pandemia no coronavírus no País, conforme decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, 16. A coordenação do grupo ficará a cargo do ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, empossado em fevereiro.

O comitê terá 22 membros. Serão 15 ministros de Estado, os cinco presidentes de Banco Central, Caixa, Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O chefe da da Advocacia-Geral da União (AGU) também será integrante.

Caberá ao comitê a articulação da ação governamental e o assessoramento ao presidente Bolsonaro sobre os desdobramentos da pandemia. O colegiado deverá atuar de forma coordenada com um outro, o Grupo Executivo Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional, criado por meio de decreto de 30 de janeiro. 

Mandetta quer uso de tecnologia para prevenção

 O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu nesta segunda a adoção de ferramentas tecnológicas, como processos eletrônicos, para que o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições públicas protejam suas cadeias de comando durante período de combate ao novo coronavírus. Segundo o ministro, as instituições poderão pensar em procedimentos após uma reunião no Supremo com representantes do Legislativo e do Judiciário sobre qual é o cenário do Covid-19 no País.

"Eu vi países que não protegeram a cadeia de comando dessas instituições e tiveram dificuldade porque às vezes um adoece, o outro adoece... Não pode haver vácuo de decisão", disse Mandetta. "Agora, com os cenários, eles podem e devem trabalhar sobre como fazer procedimento eletrônicos, como fazer home office."

Depois do encontro com Mandetta, o presidente do STF, Dias Toffoli, afirmou que a Corte deve manter, inicialmente, sessões presidenciais, com restrições para evitar contágios pelo coronavírus. Uma resolução assinada por Toffoli na semana passada prevê trabalho remoto para servidores maiores de 60 anos e portadores de doenças crônicas, reforço na higienização das áreas do tribunal e limitação do número de pessoas que poderão acompanhar as sessões de julgamento no STF.

Fronteira

O ministro da Saúde voltou a dizer, nesta segunda, que a fronteira entre o Brasil e a Venezuela é a que mais causa preocupação para o governo do ponto de vista da saúde, mas que ainda não há decisão sobre a questão.

Para Mandetta, seria adequado restringir o acesso dos venezuelanos no Estado de Roraima, assim como defendeu mais cedo o presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, o ministro falou que o fechamento ou restrições na região não são "determinantes" para a propagação do Covid-19 devido ao tamanho do Brasil.

Correções
16/03/2020 | 23h49

Diferentemente do publicado anteriormente, o Ministério da Saúde corrigiu a informação sobre o Distrito Federal. De acordo com a pasta, o DF não tem transmissão comunitária da doença. Todos os casos no Distrito Federal são 'importados', de pessoas que contraíram o novo coronavírus em outros países. 

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