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Passageiros do metrô de São Paulo usam máscaras REUTERS/Rahel Patrasso

Brasil tem 34 casos confirmados do novo coronavírus; cinco pessoas estão internadas

O Ministério da Saúde não informou o quadro de saúde dos pacientes nem em que locais estão internados; no mundo, doença já chegou a 105 países

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 17h49

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira, 10, que cinco das 34 pessoas confirmadas com o novo coronavírus no Brasil estão internadas. Segundo a pasta, há seis casos com transmissão local no País, sendo cinco em São Paulo e um na Bahia.

A média de idade do total de pacientes infectados é de 41 anos, sendo que a maioria (41%) está abaixo dos 40 anos e 26% estão na faixa de 40 a 49 anos. Seis pessoas (18%) estão entre 50 e 59 anos e quatro (12%) estão entre 60 e 69 anos. São 19 mulheres e 15 homens que foram diagnosticados em sete Estados brasileiros mais o Distrito Federal. O ministério não informa o quadro de saúde dos pacientes nem em que locais estão os internados.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, apresentados pelo ministério, há casos de novo coronavírus em 105 países. São 109.577 pacientes e 3.809 óbitos no mundo. A China concentra 73,83% os casos confirmados e 81,99% das mortes globais.

"É um vírus que tem capacidade de transmissão relativamente alta, não tão alta quanto sarampo, quanto outras viroses que já enfrentamos, que tem letalidade baixa na população geral, mas alta na população idosa, principalmente acima de 80 anos", avalia João Gabbardo, secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A preocupação com o novo vírus fez com que uma juíza do Distrito Federal obrigasse o marido de uma mulher internada pela doença a realizar o exame para detectar coronavírus. Segundo Gabbardo, a decisão foi "absolutamente correta".

"O direito individual não pode se sobrepor ao direito coletivo. Nessa situação, o paciente que não quer fazer exame pode não ter interesse em saber. Mas se ele tem e pode contaminar outras pessoas, o serviço público precisa saber que ele tem esse vírus", afirmou. Ele diz que para novas condutas em relação ao coronavírus, que serão divulgadas em breve, o Ministério da Saúde prevê medidas de obrigatoriedade como essa. /COLABOROU LUDIMILA HONORATO

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Planos de saúde devem passar a cobrir exame para novo coronavírus, diz ministério

A expectativa da pasta é que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) edite uma resolução em rito simplificado. Secretário espera resolução em 48 horas

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 19h23
Atualizado 10 de março de 2020 | 20h04

BRASÍLIA - Os testes para diagnóstico de novo coronavírus serão cobertos por planos de saúde, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, nesta terça-feira, 10. A expectativa da pasta é que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) edite uma resolução em rito simplificado, pulando a etapa de consulta pública, para alterar o rol. "Acredito que nas próximas 48 horas isso será resolvido", declarou.  

Os diretores da ANS reuniram-se mais cedo com representantes dos planos de saúde para debater o assunto. O Estado apurou que representantes de plano se comprometeram a realizar os testes enquanto a agência elabora a resolução, o que deve levar mais tempo do que estima o ministério. 

O rol da ANS aponta quais procedimentos devem ser garantidos pelos planos de saúde sem que o cliente tenha de pagar. Normalmente, a lista é atualizada a cada dois anos. 

No Brasil, apenas medicamentos têm preços tabelados pelo governo. Mas há regras de defesa do consumidor para evitar abusos de preços.

Gabbardo disse que preços acima do normal são casos a serem levados ao Procon. "Pode ser cobrado. É um exame novo. Não faz parte da lista, do rol, do exame de procedimentos locais, mas isso (inclusão na lista) vai acontecer imediatamente", disse.

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informou que o setor de saúde suplementar buscou a ANS para demonstrar sua preocupação diante da situação de saúde vivida no País atualmente em razão do coronavírus.

O órgão manifestou seu compromisso de atuar tanto nos tratamentos de pacientes diagnosticados, conforme cobertura contratada pelo beneficiário, quanto nos testes laboratoriais.

Em relação aos exames, as operadoras associadas à FenaSaúde manifestaram à ANS estarem abertas e preparadas para a incorporação ao rol de procedimentos, em caráter emergencial, dos testes específicos para o covid-19 na rede hospitalar, seguindo o protocolo de manejo clínico estabelecido pelo Ministério da Saúde, informou Vera Valente, diretora executiva da FenaSaúde.

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Governo quer investir R$ 900 milhões para aumentar postos de saúde com atendimento ampliado

Secretário disse que serão priorizados locais com transmissão do novo coronavírus

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 18h22

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira, 10, que deseja repassar a municípios até R$ 900 milhões para aumentar de 1,5 mil para 6,7 mil o número de postos de saúde com atendimento ampliado no País. 

Segundo a pasta, o recurso já está previsto no Orçamento. Há 42 mil postos de saúde no Brasil. 

O secretário-executivo da Saúde, João Gabbardo, disse que o governo irá priorizar a habilitação de postos em locais com transmissão do novo coronavírus

Segundo a pasta, 90% dos casos da nova doença são leves e podem ser atendidos nestes postos. 

O aumento do número de postos com horário ampliado será feito pelo programa "Saúde na Hora 2.0". Cada município recebe R$ 15 mil mensais a mais para investir nas unidades habilitadas. A ideia é garantir aumento no atendimento de unidades de 40 horas para 60 horas ou 75 horas semanais.

Gabbardo disse que o governo terá "preocupação redobrada" para disponibilizar leitos de UTI em hospitais de referência. "Os sistemas de saúde estão sendo atingidos porque internações de casos mais graves são longas, de até 3 semanas", disse.

Repasse a Estados

Gabbardo disse que "até o momento" não há previsão de antecipar recursos aos Estados para custeio do combate ao novo coronavírus. Como o Estadão/Broadcast revelou, os secretários estaduais de saúde pedem R$ 1 bilhão, sendo que R$ 200 milhões imediatamente.

"Estamos antecipando serviço, habilitação e colocação de leitos em UTI", disse o secretário. Ele afirmou que a ideia do governo federal não é repassar os recursos diretamente aos Estados e municípios. "Nós vamos nos responsabilizar por todas as internações", disse.

"O Ministério da Saúde nunca fez nenhuma projeção de recursos a serem disponibilizados. Estamos trabalhando numa lógica de colocar recursos conforme a necessidade", disse.

Gabbardo afirmou que o Ministério da Saúde deverá precisar de recursos para combater a doença, mas que os valores serão discutidos no tempo certo.

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