Brasil tem 36 casos em observação; 2 são suspeitos

Desses, 14 estão no Estado de São Paulo; OMS elevou para 5 o nível de risco da doença no mundo

Lígia Formenti , da Agência EStado, e Fabiana Marchezi, da Central de Notícias,

29 Abril 2009 | 16h42

Chegam a 36 os casos sob observação para sintomas da gripe suína no Brasil, conforme informou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista coletiva  na tarde desta quarta-feira, 29.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde

 

Segundo os últimos dados, o País tem dois casos considerados suspeitos - um em São Paulo e outro em Minas Gerais. São considerados supeitos os casos que apresentam uma série de sintomas compatíveis com a doença, além de terem vindo de locais considerados de risco para o vírus.  Dos 36 casos em investigação, 14 estão no Estado de São Paulo.

 

 "Peço à população que confie nas autoridades. O momento é difícil, a situação é importante, mas o País está preparado", afirmou o ministro, ao comentar a mudança do nível de alerta de pandemia de gripe suína da fase 4 para a fase 5.

 

"Toda a capacidade, toda inteligência está mobilizada para que possamos enfrentar com tranquilidade e superar esse momento", completou. Temporão concedia uma entrevista coletiva sobre as providências de proteção contra a doença adotadas no País quando foi comunicado sobre a mudança determinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele seguiu a apresentação e, ao iniciar os comentários, fez questão em enfatizar a necessidade de a população manter-se calma.

 

"Seria irresponsabilidade dizer que a doença não vai chegar. Mas estamos preparados", garantiu. Ele ressaltou também a importância de as pessoas não tomarem medicamentos por conta própria e não recorrerem à terapias milagrosas. "Nesses momentos de crise, sempre aparecem falsificações, terapias falsas. Seremos rigorosos ao tratar desse assunto", avisou. "Ter em casa medicamento seria uma falsa segurança. Qualquer terapia somente deve ser usada conforme prescrição do médico habilitado para isso."

 

Estratégia brasileira

 

Por enquanto, a mudança no nível de alerta não vai alterar a forma de trabalho para prevenção da doença, iniciada no sábado. Não haverá restrição de voos para países onde há casos confirmados da doença. Qualquer alteração, completou, somente será definida caso haja uma recomendação expressa da OMS.

 

"Independentemente do que outros países decidirem, vamos atender literalmente as recomendações feitas pelo organismo", adiantou.

Ele observou que o trabalho em portos e aeroportos será intensificado e o monitoramento será mantido. Os recursos existentes atualmente para as medidas de contenção, de acordo com o ministro, são suficientes. "Mas se houver necessidades, poderemos requisitar um aumento."

 

A partir desta quinta-feira, 30, 20 kits de tratamento com o medicamento indicado para tratamento da doença, Tamiflu, serão enviados para cada Estado.

 

Pernambuco, por receber um número significativo de turistas, poderá receber um quantitativo maior. São Paulo e Rio já receberam o remédio pronto. Ao todo, o Ministério da Saúde dispõe de 12.500 doses prontas para uso. Caso seja necessário, o governo tem em estoque material em pó para preparar nove milhões de kits de tratamento. 

 

Os dois pacientes suspeitos de estarem com a doença no Brasil, de acordo com o ministro, já recebem o tratamento indicado. Os casos passam do nível de "investigação" para "suspeitos", quando preenchem alguns requisitos: o doente apresenta mais de um sintoma da doença e regressou, há menos de dez dias, de algum país onde há casos confirmados da doença. No caso dos pacientes suspeitos, eles retornaram de viagens ao México.

 

A rede de hospitais de referência foi ampliada para 52 unidades e, com a mudança, todos os Estados passam a ter uma unidade encarregada de receber casos suspeitos. O número, porém, pode aumentar, caso haja necessidade. Isso será determinado pelos Estados.

 

De acordo com Eduardo Hage, da Secretaria de Vigilância e Saúde, já está identificada uma rede de hospitais que pode se juntar aos centros de referência, caso seja necessário. A capacitação de pessoal para atender pacientes também foi intensificada. "Ela ocorre desde 2005, de forma rotineira. O que ocorre agora é um reforço."

 

Sequenciamento do vírus

 

O sequenciamento genético do H1N1, o vírus responsável pela gripe suína, já foi enviado para o País pela OMS. "Em casos de risco de pandemia, o material é considerado patrimônio da humanidade", contou Hage.

 

O sequenciamento foi enviado para os Estados Unidos para que testes de identificação do vírus possam ser realizados no País. Somente com esse mecanismo é possível se confirmar a contaminação do paciente. O prazo estimado para que o teste possa ser usado é de 10 dias. Por enquanto, pacientes com suspeita são submetidos a outros testes, usados para avaliar a existência de outros tipos de vírus da gripe.

 

"Por enquanto, o diagnóstico tem de ser feito por exclusão. Se o teste do paciente suspeito não for positivo para nenhum dos vírus que temos testes disponíveis, há a possibilidade de que ele esteja contaminado pela influenza suína", explicou o secretário Estadual de Saúde do Rio, Sérgio Cortes, que participou de uma reunião com demais secretários e com representantes do ministério para discutir as ações necessárias de contenção da gripe suína. 

 

(Ampliada às 19h48)

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