Erasmo Salomao/MS
Erasmo Salomao/MS

Brasil tem 433 casos suspeitos de coronavírus

A maioria se concentra em São Paulo, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde; governo diz que País está preparado para lidar com a doença

Amanda Pupo e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 16h46
Atualizado 03 de março de 2020 | 00h40

BRASÍLIA - O número de casos suspeitos pelo novo coronavírus no Brasil aumentou de 252 para 433, e a maioria deles se concentra em São Paulo. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde, em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 2. O País segue com dois casos confirmados, de um homem de 61 anos e outro de 32, ambos de São Paulo, que estão bem, segundo a pasta. Nesses pacientes, não há relato de problemas de saúde ou complicações decorrentes da doença nem foram registrados sinais e sintomas nas pessoas que convivem com eles.

A maioria dos casos suspeitos está em São Paulo, com 163, em seguida vem Rio Grande do Sul, com 73, e Minas Gerais em terceiro, com 48. Das notificações suspeitas, 162 foram descartadas. Entre elas, 12 deram positivo para o vírus influenza B e 15 para o influenza A. "Isso vai ter uma importância muito grande, pois anunciamos a antecipação da vacinação [contra gripe]", afirmou o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

A partir desta segunda-feira, o Ministério da Saúde seguirá um novo fluxo de consolidação dos dados relativos aos casos de coronavírus no País, adotando integralmente os dados repassados pelas secretarias estaduais. Assim, haverá uma descentralização da consolidação dos casos, com o objetivo de dar agilidade de resposta à doença. Antes, as notificações feitas pelos Estados eram reanalisadas pela equipe do Ministério da Saúde.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre a nova metodologia. "Cada secretaria estadual foi capacitada. Agora, elas nos mandam e nós assumimos números e vamos fazendo a posteriori, com calma, verificação", disse. Nos Estados onde não há casos registrados ou há poucos casos, a pasta continua fazendo apoio local, segundo Oliveira.

O titular da pasta disse que trabalha para publicar nesta semana uma portaria que diferencie as situações de isolamento e de quarentena. De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, haverá uma reunião na quinta-feira com especialistas para discutir o assunto.

Recursos

Mandetta disse que, por enquanto, vai atuar com o orçamento da pasta para lidar com a questão do coronavírus no País, mas não descarta recorrer a uma verba adicional se for preciso. "Vou trabalhar com meu orçamento até o momento que tiver necessidade. Mas vou visitar o Congresso e vou avisar que estejam preparados para uma situação de emergência para realocação de recursos", afirmou.

Para o ministro, a cidade de São Paulo, onde dois casos foram confirmados, será "um bom termômetro" para fazer outros cenários orçamentários. "Se tem uma cidade com preparo é a cidade de São Paulo. Estamos sendo testados onde a gente tem nossa estrutura mais robusta."

Sobre governadores de Estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil sinalizarem pedir ajuda financeira ao governo, o ministro disse que só vai fazer realocação de recursos quando houver necessidade real. "Hoje, não temos transmissão interna. Não vai faltar recurso, mas não vou mandar para um lugar que tenha zero [casos da doença], seria uma falta de gestão. Vamos fazer a gestão clínica desses recursos."

Testes

O ministério anunciou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está produzindo, por meio do instituto BioManguinhos, 10 mil testes a partir de quarta-feira, 4, para diagnóstico do novo coronavírus. O laboratório ainda fará, na semana seguinte, a produção de outros 12 mil testes, além de outros 3 mil para contraprova e controle de qualidade. Ainda serão feitos 5 mil exames para influenza A e B. 

Os treinamentos serão in loco a partir da chegada dos kits nos laboratórios. Segundo Mandetta, os kits devem custar em torno de R$ 100, mas ainda não há como precisar todos os recursos necessários para essa operação, disse.

"Vamos calibrar os aparelhos em todos os Estados, capacitar todos os técnicos, e só vamos autorizar quando estiver no padrão de qualidade. Custos, ainda estamos trabalhando com diversos cenários, vai ter que aguardar (para ter definição)", disse.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, reforçou que o Brasil "está preparado" para lidar com o surto. Ele disse ainda que pessoas que retornam de viagens a países em alerta para a doença, se não tiverem sintomas do Covid-2019, não devem deixar de ir ao trabalho ou escola. "É óbvio que, se sentir um mal, estar deve se recolher." /COLABOROU LUDIMILA HONORATO

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