Brasil tem 682 cidades com risco ou em alerta de epidemia de dengue

Número é o dobro do ano passado; de janeiro a novembro, País teve 1,4 milhão de casos, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2013 | 13h40

BRASÍLIA - O número de cidades com risco de epidemia de dengue para este verão dobrou em relação ao ano passado. Levantamento Rápido do Índice para Aedes aegypti (LIRAa) divulgado nesta terça-feira, 19, pelo Ministério da Saúde mostra que das 1.315 cidades analisadas, 157 apresentam um alto índice de criadouros de mosquito transmissor da doença. No ano passado foram 77 dentro de um universo de 1.239 municípios analisados. Entre janeiro e novembro, foram 1,476 milhão de casos notificados da doença, com 573 mortes.

O levantamento, feito nos meses de outubro e novembro, indica ainda que 525 cidades foram consideradas em nível de alerta para a doença. Os números podem mudar, pois Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis ainda não apresentaram dados.

"O sistema pode estar mais sensível que no ano passado. Mas temos de nos preparar para o cenário pior do que em 2013", alertou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

Este ano foi um dos piores da história em número de casos de dengue. Entre janeiro e novembro, foram registrados 1,476 milhão de casos da doença. Um número bem superior ao da epidemia de 2010 (955.087) e quase três vezes maior do que o registrado em 2012, quando foram confirmadas 545.163 infecções. O aumento foi atribuído às eleições municipais do ano passado. Nessa época, há uma tendência na redução das atividades de prevenção da doença, incluindo a redução da coleta de lixo.

"Número de casos de dengue fala do passado. O Liraa fala do futuro. Quanto mais ele for usado como instrumento de intervenção, maior as chances do controle da dengue", disse Barbosa. As atividades de prevenção, afirmou, devem ser iniciadas o mais rapidamente possível pelas prefeituras. O ministério vai repassar R$ 363,4 milhões para intensificar essas atividades.

Nordeste. O Nordeste é a região que apresenta maior número de cidades em situação de risco para a dengue neste verão. Das 539 analisadas, 125 têm um alto índice de infestação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. Outras 254 cidades foram consideradas em situação de alerta, incluindo as capitais Salvador, Fortaleza, São Luís e Aracaju.

 Na Região Centro-Oeste, 11 estão sob risco, incluindo a capital Cuiabá. Goiânia e Campo Grande são consideradas em situação de alerta, além de outras 109 cidades da região. Na Região Norte, 17 cidades estão sob risco, entre elas as capitais Porto Velho e Rio Branco. Boa Vista, Manaus e Palmas e outras 55 cidades estão em situação de alerta. No Sudeste, o único município considerado de risco é Governador Valadares (MG). Rio e Vitória estão em alerta, além de outras 84 cidades. De acordo com o secretário, embora os números não tenham sido consolidados, São Paulo não está em situação de alerta. No Sul, duas cidades estão sob risco e 17 em alerta.

Embora os números de casos da doença sejam muito expressivos, o ministério comemorou a redução das mortes provocadas pela infecção. Se o ritmo de 2010 tivesse sido mantido, o número provável para este ano seria de 987 óbitos. Foram registrados 414 a menos do que o esperado: 573.

Mais conteúdo sobre:
Dengue

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.