Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Brasil tem capacidade para mudar o rumo da pandemia, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde apontou que Brasil, Estados Unidos e Índia - os três países líderes de casos do novo coronavírus - tem capacidade interna e sistemas de saúde para reverter a situação

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 13h26

O diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta quinta-feira, 23, que os três países que lideram o ranking de casos de covid-19 - EUA, Brasil e Índia, em ordem - tem capacidade para mudar o rumo da pandemia.

"É algo certo: países grandes podem ter grandes problemas, por conta dessa natureza. São populosos, complexos", disse Ryan durante coletiva de imprensa. "Mas esses três países têm grandes capacidades internas e eu acredito que podem reverter a situação, por conta  de sua saúde pública, ciência e habilidade para combater essa doença". 

Ele apontou que, como em outras nações, há discordância entre as esferas federal e estadual, o que contribui para a complexidade do enfrentamento ao novo coronavírus

"É um dos preços que se paga pela democracia neste contexto". Ryan acrescentou que a organização trabalha junto às autoridades das duas esferas nessas nações para reverter a situação.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que metade dos óbitos e casos totais do mundo correspondem a esses três países.

O Brasil contabilizou recorde de novos casos em 24h na quarta-feira, 22, com 65.339 registros. No total, são mais de 2,2 milhões de casos e quase 83 mil mortes. Nos EUA, foram atingidas 4 milhões de infecções e 143 mil óbitos e, na Índia, 1,2 milhão de casos e 30 mil mortes.

Politização da pandemia

A organização voltou a apontar disputas partidárias e políticas como um obstáculo para o combate ao coronavírus. "Uma das maiores ameaças que enfrentamos é a politização da pandemia. A covid-19 não respeita fronteiras, ideologias ou partidos políticos", disse Tedros.

As afirmações foram feitas pelo diretor-geral após ter sido questionado por jornalistas sobre supostos comentários do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Segundo jornais britânicos, Pompeo acusou Tedros de ter-se deixado "comprar" pela China, durante reunião fechada com parlamentares na Inglaterra nesta terça-feira, 21.

Washington e Pequim vivem escalada de tensões e, nesta semana, o governo norte-americano acusou hackers chineses de terem tentado roubar estudos sobre vacina contra o coronavírus e determinou o fechamento do consulado da China em Houston.

O diretor-geral da OMS apontou que as declarações são "falsas, inaceitáveis e sem qualquer embasamento". "O que realmente importa para nós - e deveria importar para toda a comunidade internacional - é salvar vidas".

Ação individual contra o coronavírus

Além de posicionamentos em relação aos líderes dos países, a agência continuou a ressaltar a importância da ação individual no enfrentamento à pandemia.

O diretor-geral repetiu as recomendações: usar máscaras, higienizar as mãos, evitar aglomerações e seguir os direcionamentos das autoridades locais. "Suas atitudes podem ser a diferença entre a vida e morte de alguém que você ama ou de um completo estranho", afirmou.

Tedros apontou que foram registrados surtos locais associados a baladas e eventos sociais em países com baixo nível de transmissão. A líder técnica da resposta à covid-19 da organização, Maria Van Kerkhove, disse que baladas tendem a ser os hotspots para explosões de casos pontuais naqueles países que já suprimiram o vírus. 

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