Leonardo Augusto/Estadão
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Brasil registra 9 suspeitas de coronavírus; SP tem duas crianças com possível infecção

Seis Estados têm registros em investigação, segundo Ministério da Saúde; cidade de São Paulo registra três possíveis infecções

Marlla Sabino e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 17h09
Atualizado 29 de janeiro de 2020 | 20h17

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde informou na tarde desta quarta-feira, 29, a existência de nove casos suspeitos de infecção pelo coronavírus no Brasil, mas sem confirmação de nenhum deles. Entre os possíveis infectados estão três pacientes da cidade de São Paulo, dois deles são crianças.

Estados com casos suspeitos de coronavírus

  • São Paulo (3)
  • Santa Catarina (2)
  • Minas Gerais (1)
  • Paraná (1)
  • Rio de Janeiro (1)
  •  Ceará (1).

Outros quatro casos suspeitos foram descartados: três no Rio Grande do Sul e um no Paraná. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, afirmou nesta quarta-feira, 29, que não haverá bloqueio de brasileiros que retornem de viagem da China.

Na terça-feira, o ministério havia divulgado a ocorrência de três casos suspeitos: em Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba. Os dois casos das capitais gaúcha e paranaense já foram descartados. O caso mineiro segue em apuração. Segundo o ministério, diariamente haverá um boletim de atualização divulgado às 16 horas. Em todo o mundo, o novo coronavírus já infectou cerca de 6 mil pessoas, das quais 132 morreram.

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No total, a pasta foi notificada de 33 casos, mas 20 foram excluídos por não se enquadrarem nos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apenas pacientes que apresentam sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar e têm histórico de viagem para a China nos últimos 14 dias, mesmo antes de apresentarem os possíveis sinais de infecção, são considerados suspeitos.

Os pacientes que estão sob investigação estão sendo monitorados e ficarão isolados até a divulgação do resultado dos exames. Outros quatro 4 casos foram descartados pelo governo.

Casos de São Paulo

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou que os três casos suspeitos do Estado foram registrados na cidade de São Paulo. Os pacientes são dois irmãos, de 4 e 6 anos, e um adulto de 33 anos. Os três passam bem e estão em isolamento domiciliar.

De acordo com a pasta estadual, uma das crianças com suspeita da doença, o menino de 6 anos, retornou da China no dia 19 de janeiro e apresentou febre e tosse no dia 28. A criança mais nova, uma menina de 4 anos, não esteve no país asiático, mas teve contato com o irmão mais velho e apresentou os mesmos sintomas. As crianças foram inicialmente atendidas no Hospital Infantil Cândido Fontoura, na zona leste da cidade, mas foram encaminhados para acompanhamento domiciliar.

Já o homem de 33 anos voltou da China no dia 20 de janeiro. Apresentou febre, tosse e dor de garganta e foi atendido em um hospital privado da capital, segundo a secretaria.

"Os familiares estão orientados com relação às medidas necessárias para se prevenirem, como uso de máscaras, higienização das mãos e não compartilhamento de objetos de uso pessoal, bem como sobre os cuidados requeridos para os pacientes, que incluem hidratação e a permanência em casa, sem circulação por outros locais e evitando contato com familiares e amigos, por exemplo", disse a pasta, em nota.

As amostras dos exames feitos pelos pacientes já foram enviadas para análise no Instituto Adolfo Lutz, laboratório público de referência. O resultado deve ser divulgado nos próximos dias.

Segundo Helena Sato, diretora da Vigilância Epidemiológica da secretaria estadual, apesar dos três casos suspeitos na capital, não há motivo para pânico entre a população. "Temos que lembrar que os casos não estão confirmados ainda. Mesmo assim, o que temos de dados neste momento sobre o novo coronavírus é que ele não tem um potencial de transmissão tão grande quanto o de outros vírus, como o do sarampo. Uma pessoa infectada com sarampo contamina, em média, outras 18 pessoas. No caso do coronavírus, a pessoa infectada pode contaminar de duas a três pessoas, segundo estudos que temos até agora", destaca ela.

A professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei, concorda que o risco de propagação do vírus atualmente é muito baixo. "A maioria dos casos investigados até agora foram descartados e as medidas de precaução estão sendo tomadas quanto aos casos suspeitos. O maior risco na verdade é para os profissionais de saúde. Na epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave, entre 2002 e 2003), esse foi o grupo mais afetado", explica a especialista, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Sato afirmou que a decisão de manter os pacientes de São Paulo isolados em suas casas segue protocolo do Ministério da Saúde para casos em que não há gravidade. "Não há necessidade de fazer isolamento em hospital porque essas pessoas estão bem. Essa não é uma decisao paulista, é uma decisão do ministério", afirmou.

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